Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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Os mercados globais despencam neste início de semana, reagindo à disparada do petróleo em meio ao conflito entre os Estados Unidos e o Irã, o que eleva os temores de que a alta da energia possa gerar inflação e desacelerar a economia global. Ações, títulos e metais preciosos recuam com investidores cautelosos diante do impacto da escalada do petróleo.
Os contratos futuros da commodity saltaram mais de 15%, superando a marca de US$ 110 por barril na noite de domingo (08) após os principais produtores do Oriente Médio reduzirem a produção devido ao fechamento contínuo do Estreito de Ormuz.
Os mercados moderaram as perdas na madrugada desta segunda-feira (09), com notícias de que a Arábia Saudita teria ofertado petróleo via oleoduto e que o G7 estaria considerando o uso de reservas estratégicas, aliviando as cotações.
O petróleo WTI opera com alta de 8,29%, negociado a US$ 98,44 por barril, após atingir US$ 113 mais cedo. O Brent avança 13,20%, ultrapassando US$ 105,11 por barril. As cotações iniciaram o ano abaixo de US$ 60 por barril.
A guerra dá poucos sinais de trégua. Relatos indicam que o Irã nomeou o filho do aiatolá Khamenei, Mojtaba, como novo líder supremo.
As taxas dos Treasuries sobem para o maior patamar em um mês: o título de 10 anos negocia a 4,17%, enquanto o papel de dois anos marca 3,60%.
O dólar avança para uma máxima de mais de três meses. O índice DXY avança 0,34%, a 99,32 pontos. Pressionado pela força do dólar, o ouro recua 1,30%, cotado a US$ 5.104,72 por onça-troy. O Bitcoin cede 0,19%, transacionado a US$ 68.155,79.
Na Coreia do Sul, o Kospi acionou seu segundo circuit breaker em quatro pregões nesta segunda. O índice despencou 8,00%, liderando uma liquidação regional. O índice japonês Nikkei 225 tombou 5,20%. Os mercados chineses registraram perdas menores: o índice de Hong Kong Hang Seng caiu 1,33%, e o chinês CSI 300 recuou 0,97%.
As bolsas europeias operam em forte baixa. O Euro Stoxx recua 1,77%, enquanto as taxas dos títulos europeus também registram forte alta. Em NY, os contratos futuros do S&P 500 sinalizam abertura no vermelho e recuam 0,75%.
No mercado doméstico, o Ibovespa fechou a sessão de sexta-feira (06) com perdas de 0,61%. O dólar comercial recuou 0,49%, cotado a R$ 5,2382. Na curva de juros, as taxas registraram altas de 15 e 18 pontos base.
EUA: A criação de empregos surpreendeu negativamente em fevereiro. A economia registrou queda de 92 mil vagas, resultado bem abaixo das expectativas do mercado. Além disso, os dados de meses anteriores foram revisados para baixo, com redução de 4 mil vagas em janeiro e de 65 mil em dezembro. Parte do enfraquecimento refletiu fatores temporários, como greves e condições climáticas adversas em setores mais sensíveis ao clima.
A taxa de desemprego subiu para 4,44% em fevereiro, acima do consenso. O relatório também incorporou novos controles populacionais na pesquisa domiciliar, o que levou a uma revisão relevante na taxa de participação da força de trabalho de janeiro, principalmente devido ao aumento das estimativas da população com 65 anos ou mais — grupo com participação relativamente menor no mercado de trabalho. Considerando ajustes metodológicos, o emprego medido pela pesquisa domiciliar caiu 306 mil em fevereiro, após forte alta no mês anterior.
Apesar do enfraquecimento no mercado de trabalho, os salários médios por hora avançaram 0,40% no mês e passaram a crescer 3,84% em termos anuais — nível ainda acima de algumas medidas alternativas de salário, mas inferior ao ritmo considerado consistente com a meta de inflação de 2% do Fed.
Para acessar o relatório completo, clique aqui.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |