Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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A geopolítica segue no radar dos mercados globais nesta quarta-feira (07), com a atenção dos investidores migrando da captura de Nicolás Maduro para as renovadas pretensões de Trump sobre a Groenlândia. O anúncio de que a Casa Branca considera o uso de força militar para adquirir o território autônomo dinamarquês adiciona uma camada relevante de instabilidade diplomática.
Hoje, o mercado também aguarda a divulgação do relatório de empregos ADP de dezembro, às 10h15. Economistas projetam a criação de 48 mil postos de trabalho, dado que deve balizar as apostas para a política monetária do Fed nas próximas semanas.
Os Treasuries operam estáveis nesta manhã: a taxa de 10 anos trabalha a 4,15%, enquanto o título de 2 anos é negociado a 3,46%.
O dólar opera estável. O índice DXY — que mede a força da moeda dos EUA contra seis pares — avança 0,03%, aos 98,61 pontos. O ouro registra ajuste negativo de 0,67%, cotado a US$ 4.464,57 por onça-troy, enquanto o Bitcoin cede 1,67%, negociado a US$ 91.657,54.
No mercado de commodities, o petróleo WTI apresenta recuo de 1,14%, cotado a US$ 56,48 por barril, devolvendo parte dos ganhos recentes. Já o minério de ferro marca valorização de 0,63%, trocando de mãos a US$ 106,64, sustentado pela demanda asiática.
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente no negativo. O índice japonês Nikkei 225 recuou 1,06%, enquanto o Hang Seng, em Hong Kong, caiu 0,94% e o CSI 300, na China continental, registrou perda de 0,29%.
Na Europa, o índice Euro Stoxx abre em baixa de 0,26%, acompanhando a cautela dos investidores globais. Na mesma direção, os futuros do S&P 500 oscilam no campo negativo, em queda de 0,13%.
No Brasil, o Ibovespa fechou a sessão de ontem (06) em alta de 1,11%, aos 163.663,88 pontos. O dólar encerrou em baixa de 0,60%, cotado a R$ 5,3756. A estrutura a termo da taxa de juros perdeu inclinação, com leve avanço dos vértices curtos em contraposição ao recuo marginal dos vencimentos mais longos.
Zona do euro: O CPI desacelerou para 2,0% em termos anuais em dezembro de 2025, ante 2,1% em novembro, segundo dados preliminares divulgados pela Eurostat. O resultado veio em linha com as expectativas de analistas e marcou o retorno do índice à meta oficial de 2% do Banco Central Europeu.
O núcleo da inflação, que exclui os preços mais voláteis de energia e alimentos, também apresentou moderação, com alta anual de 2,3% em dezembro, levemente abaixo dos 2,4% registrados no mês anterior. O dado ficou em conformidade com o consenso de mercado, reforçando a percepção de um processo gradual de desinflação na região.
Brasil: A balança comercial registrou superávit de US$ 9,6 bilhões em dezembro e encerrou 2025 com saldo positivo de US$ 68,3 bilhões, abaixo dos US$ 74,2 bilhões observados em 2024. As exportações somaram US$ 31,0 bilhões em dezembro, enquanto as importações alcançaram US$ 21,4 bilhões.
No acumulado de 2025, as vendas externas cresceram 3,5%, para US$ 348,7 bilhões, e as compras avançaram 6,7%, para US$ 280,4 bilhões. Apesar do nível elevado das importações ao longo do ano, a recuperação das exportações no segundo semestre — especialmente no quarto trimestre — garantiu um resultado acima das expectativas do mercado.
A composição do comércio exterior reforça uma tendência já observada: mesmo com a queda dos preços internacionais, o valor negociado aumentou em função do forte crescimento dos volumes. Entre os produtos exportados, o petróleo bruto voltou a liderar tanto em dezembro quanto no acumulado do ano, seguido por minério de ferro e soja — esta última superando o desempenho de 2024. Carne bovina e café também se destacaram.
Do lado das importações, óleos combustíveis de petróleo e adubos mantiveram crescimento interanual, enquanto itens ligados à cadeia automotiva, como partes e motores, continuaram desacelerando.
No recorte geográfico, as exportações para a Argentina cresceram mais de 30% em 2025, impulsionadas por veículos automotivos, em um contexto de melhora econômica e valorização da moeda no país vizinho. As vendas para a China também avançaram de forma significativa, superando US$ 100 bilhões e estabelecendo um novo recorde.
Em contraste, as exportações para os Estados Unidos registraram queda de 6,4% em 2025, embora haja expectativa de melhora nos próximos meses com a ampliação da lista de produtos isentos de tarifas.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.

Não houve divulgação de indicadores relevantes.
Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |