Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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Os mercados globais ensaiam uma recuperação nesta terça-feira (03) e superam a volatilidade recente que atingiu criptoativos e metais preciosos. Enquanto as bolsas europeias operam em terreno positivo, o ouro e a prata apresentam valorização. O movimento é sustentado por uma correção técnica e pelo renovado apetite por ativos de risco.
No mercado de renda fixa dos Estados Unidos, o Treasury com vencimento em 2 anos negocia com juros de 3,58%, enquanto a taxa do título de 10 anos está em leve alta negociada a 4,29%.
O dólar, medido pelo índice DXY, opera com leve desvalorização de 0,03%, cotado a 97,60 pontos.
O ouro e a prata registram forte recuperação. O ouro à vista sobe 6,00%, cotado a US$ 4.938,60 por onça-troy, enquanto os contratos futuros em Nova York também avançam 5,4%, a US$ 4914,79. A prata à vista salta quase 10,00% e atinge US$ 86,96 por onça. No segmento de criptoativos, o Bitcoin opera com variação negativa de 0,02%, a US$ 78.447,96.
No setor de commodities, o petróleo do tipo WTI recua 0,56% e negocia a US$ 61,79 por barril. O minério de ferro registra trajetória descendente e cai 2,81%, cotado a US$ 102,65 por tonelada.
Na Ásia, os mercados encerraram em alta. O Kospi, da Coreia do Sul, liderou o movimento ao saltar quase 7,00%. Na Índia, o Nifty 50 valorizou 2,73%, impulsionado pelo anúncio de Trump de que Washington e Nova Délhi fecharam um acordo comercial para o corte imediato de tarifas bilaterais. No Japão, o índice Nikkei subiu 3,92%, sob a liderança do setor de tecnologia. Na China, o índice chinês Shanghai CSI 300 avançou 1,18%.
Na Europa, as ações avançam nesta terça e o índice Euro Stoxx 50 opera em alta de 0,57%. Nos EUA, os contratos futuros do S&P 500 sinalizam abertura em território positivo ao avançarem 0,14%.
No Brasil, o Ibovespa fechou a sessão de ontem (02) com valorização de 0,79%, aos 182.793 pontos, enquanto o dólar encerrou cotado a R$ 5,2567. No mercado de juros, a curva doméstica ganhou inclinação:a taxa para janeiro de 2031 encerrou em 13,15% após avançar 10 pontos base. O movimento reagiu a rumores sobre uma indicação para a diretoria do Banco Central à revelia de seu presidente, Gabriel Galípolo.
EUA: O índice ISM da indústria subiu 4,7 pontos em janeiro, para 52,6 pontos, superando com folga as expectativas do mercado e retornando ao território de expansão pela primeira vez em 12 meses. O resultado aproxima o indicador do sinal emitido por outros levantamentos setoriais. A melhora foi disseminada, com fortes avanços em novas encomendas, produção e emprego, além de alta nos pedidos de exportação e nas importações. Os estoques permaneceram em nível contracionista e os preços pagos avançaram levemente.
Apesar do fortalecimento dos indicadores quantitativos, o tom qualitativo da pesquisa foi mais cauteloso. O comunicado trouxe 14 menções a tarifas, acima das 10 registradas em dezembro, com empresas relatando impactos negativos das ameaças tarifárias sobre a União Europeia e criticando a falta de clareza das políticas comerciais. Em paralelo, o PMI industrial foi revisado para cima na leitura final de janeiro, a 52,4 pontos, refletindo ajustes positivos em produção, novas encomendas e emprego, ao mesmo tempo em que as medidas de preços de insumos e de produtos finais foram revisadas para baixo.
Brasil: A ata do Copom reforçou a sinalização do início do ciclo de corte de juros na reunião de março. O comitê avalia que a atividade está em trajetória de moderação, com os setores mais sensíveis a política monetária desacelerando, enquanto os setores ligados ao mercado de trabalho sem mantém mais resilientes.
A inflação tem apresentado comportamento mais benigno com as leituras mais recentes indicando arrefecimento dos preços tanto do índice cheio quanto em aberturas setoriais e medidas subjacentes. Essa dinâmica mais favorável é resultado do câmbio mais apreciado e do comportamento benigno das commodities que contribuiu para a redução da inflação de bens industrializados e alimentos.
Na discussão sobre os próximos passos da política monetária, o Copom avaliou que a magnitude e a duração do ciclo de corte de juros serão determinados ao longo do tempo à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises. O Copom avaliou que essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual os sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade e seus efeitos sobre a inflação dificultam a identificação de tendências claras.
O Copom não citou nesse trecho da ata o termo “serenidade”, que indica que o BC prefere ter mais flexibilidade para ajustar o ciclo conforme a evolução do cenário.
Mantemos a expectativa de corte de 50 pontos base na reunião de março, reduzindo a taxa Selic para 14,50% ao ano. No final do ciclo de corte, esperamos que a taxa Selic seja reduzida para 12,25% a.a. em novembro de 2026.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |