Abertura de mercado de olho na escalada das tensões políticas entre EUA e Irã

03/03/2026 • 4 mins de leitura

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Os mercados globais operam em forte queda na manhã desta terça-feira, à medida que os investidores observam a escalada das tensões geopolíticas no conflito entre os EUA e o Irã.

O movimento de aversão ao risco mantém as ações globais sob pressão. Os futuros do S&P 500 recuam mais de 1%, e os do Nasdaq 100 operam em baixa de 2%. O recuo generalizado hoje decorre da ampliação do conflito para toda a região do Golfo. Na madrugada, o Ministério da Defesa da Arábia Saudita comunicou que dois drones atingiram a embaixada americana em Riad.

Os temores de uma interrupção no fornecimento de energia aumentaram após a Guarda Revolucionária Iraniana declarar que o Estreito de Ormuz, a rota de trânsito vital para o petróleo, está fechado e que o Irã incendiaria navios que tentassem fazer a travessia.

O efeito sobre a economia global e sobre o preço dos ativos dependerá da duração da restrição de circulação no Estreito de Ormuz. A expectativa dos EUA é de uma resolução em algumas semanas. Se materializada, haverá um pico de tensão seguido de normalização. Caso a paralisação perdure, os impactos inflacionários e recessivos começarão a se materializar.

As taxas das Treasuries sobem nesta terça-feira. A taxa da Treasury de 2 anos avança a 3,54%, enquanto a de 10 anos sobe a 4,09%; ambas com alta de cerca de 4 pontos-base.

O dólar oscila perto da máxima de cinco semanas, sustentado pela demanda firme e pela cautela no mercado. O DXY opera a 99,14 e sobe 0,77%. O ouro negocia a US$ 5.269,02 e recua 1,00%. O ouro à vista avança 1,00%, cotado a US$ 5.377,21 a onça. O bitcoin cai 4,32%, a US$ 66.426,55.

Os futuros do petróleo Brent operam a US$ 78,83 o barril, um avanço de US$ 1,10 ou 1,40%. Na segunda-feira, o contrato chegou a US$ 82,37, o maior nível desde janeiro de 2025, embora tenha reduzido os ganhos para fechar em alta de 6,70%. O petróleo WTI negocia a US$ 75,16 e avança 5,52%. O minério de ferro sobe 1,02%, a US$ 100,07.

Na Ásia, o índice chinês Shanghai fechou em queda de 1,54%, enquanto o Nikkei, do Japão, recuou 3,06%.

As ações europeias abriram em queda com o índice pan-europeu Stoxx 600 recuando 2,84%, aprofundando as perdas de segunda-feira. Nos EUA, o futuro do S&P 500 recua 1,51%.

No Brasil, o Ibovespa encerrou em alta de 0,28%. O dólar fechou a R$ 5,1750, com valorização de 0,97%. Na curva de juros, os contratos mais longos subiram cerca de 10 pontos-base em reação aos temores de inflação.

Conflito no Irã – As autoridades Iranianas anunciaram o fechamento do Estreito de Ormuz e declararam que qualquer embarcação que tente atravessá-lo poderá ser alvo de ataque, elevando significativamente o risco geopolítico na região. A via marítima é estratégica para o mercado global de energia, concentrando aproximadamente 20% do fluxo mundial de petróleo, o que desencadeou uma reação imediata nos preços internacionais.

O barril do Brent avançou cerca de 7,0% no dia, negociado ao redor de US$ 83, enquanto os contratos de gás natural na Europa dispararam aproximadamente 35%, refletindo o temor de interrupções adicionais no fornecimento global de energia e o potencial de um choque de oferta de grandes proporções.

EUA – O ISM da indústria recuou 0,2 ponto em fevereiro, para 52,4, queda menor do que a esperada pelo mercado e ainda consistente com expansão do setor. A composição do indicador, contudo, foi heterogênea: novos pedidos caíram 1,3 ponto, para 55,8, e a produção recuou 2,4 pontos, para 53,5, enquanto o subíndice de emprego avançou 0,7 ponto, para 48,8 — permanecendo abaixo da linha de 50 que separa contração de expansão. O índice de importações avançou 4,9 pontos, para 54,9, o maior nível desde o início de 2022.

O tempo médio de espera por insumos permaneceu em 79 dias, acima da média pré-pandemia de 67 dias em 2019, embora abaixo do pico de 100 dias observado em julho de 2022. Estoques aumentaram para 48,8. O destaque negativo ficou com o componente de preços pagos, que saltou 11,5 pontos, para 70,5, o maior patamar desde julho de 2022, reforçando a pressão de custos. O comunicado mencionou tarifas nove vezes, com empresas relatando alta de custos de matérias-primas e notificações de reajustes por parte de fornecedores atribuídas a alegações tarifárias.

EUA – O PMI industrial foi revisado para cima na leitura final de fevereiro, subindo 0,4 ponto para 51,6. Produção, novos pedidos e emprego também foram ajustados positivamente, sugerindo um quadro de expansão moderada. Em contraste, os índices de preços de insumos e de produtos finais foram revisados para baixo, com este último atingindo o nível mais baixo desde dezembro de 2024, sinalizando arrefecimento parcial das pressões inflacionárias no setor.

Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.

Fonte: Bloomberg.

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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