Análise de Empresas
17/07/2024 • < 1 minuto de leitura
Análise de Empresas — Relatório de Produção Vale 2T24
A Vale divulgou na noite de terça-feira (16) sua prévia…
No 1º trimestre de 2026, a Vivara apresentou melhoras operacionais — como redução de despesas fabris, otimização de estoques, redução de compras de matéria-prima — e crescimento do ticket médio em todos os segmentos.
Por outro lado, as despesas com vendas e despesas financeiras aumentaram significativamente, além da pressão por conta de menor subvenção e IR diferido.
Houve antecipação de R$ 163,8 milhões de recebíveis de cartão de crédito e pagamento antecipado de dividendos relativos ao exercício de 2025, que impactaram negativamente a geração de caixa operacional. Adicionalmente, também destacamos a continuidade do plano de otimização de estoques, refletido na redução do estoque para 601 dias — queda de 77 dias de estoque na comparação anual.
A receita bruta atingiu R$ 751,8 mi no 1T26 (+13,8% a/a). As vendas em mesmas lojas (SSS) de lojas físicas registraram 9,7% (ante 10,1% no 1T25). A Vivara teve maior crescimento de vendas por m² (10,2%) devido à boa gestão de markup e aumento do ticket médio. A Life teve retração de 3,0% por conta do impacto da participação de novas lojas, que apresentam menos vendas.
Joias liderou a expansão com alta de 18,1% a/a, combinando crescimento de volume (+10,3%) e de ticket médio (+7,0%). O ganho de representatividade das subcategorias Prata Vivara e Prata/Ouro (de 6,2% para 9,9% do mix de vendas) reforça a estratégia da companhia de ampliar o acesso via faixas de preço mais atrativas, sem abrir mão de markups elevados. A categoria Life avançou 8,2% a/a, impulsionada pelo ticket médio (+17,3%), enquanto o volume cedeu 7,8%. A dinâmica é explicada pelo reposicionamento de preços na subcategoria Moments.
Relógios teve expansão de 17,6% a/a, tanto em volumes (+6,5%) quanto em ticket médio (+10,4%). O destaque ficou para a subcategoria premium, que cresceu 31,5% a/a — reflexo de maior assertividade na alocação de estoque entre lojas.
No canal digital, o avanço de 16,2% a/a foi acompanhado por evolução de indicadores qualitativos: as vendas do e-commerce faturado nas lojas física (OMS) saltaram de 49,2% para 61,7% do mix digital. O novo aplicativo já representa 18% das vendas do canal (vs. 15% no 4T25), com taxa de conversão superior ao site. O modelo de personal shoppers faturou R$ 5,6 mi (+122% a/a), sinalizando avanço da estratégia omnichannel.
A margem bruta atingiu 69,8% no 1T26 (+2,0 p.p. a/a). Os principais vetores de melhora foram: (i) ganho de participação de subcategorias com maior markup em Joias (Prata Vivara e Prata/Ouro); (ii) hedge natural propiciado pela elevada cobertura de ouro nos estoques e pelos processos de derretimento de produtos de baixo giro, que isolaram o custo médio dos produtos acabados da volatilidade de +50% do preço da commodity no período; e (iii) melhora nas despesas fabris (-52,5% a/a), com ganhos de eficiência produtiva.
A margem EBITDA recuou 2,2 p.p. a/a, para 16,2%, pressionada pelo crescimento de 20,4% a/a nas despesas com vendas. As principais causas de pressão foram: (i) marketing (+39,2% a/a), com maior investimento em mídia de performance, eventos e branding voltados ao Dia das Mães e Dia dos Namorados; (ii) frete (+85,7% a/a), cujo crescimento reflete o impacto transitório da inauguração do CD no Espírito Santo e o movimento de realocação de peças entre lojas; e (iii) outras despesas, com vendas (+39,1% a/a), como treinamento comercial. As despesas G&A avançaram 10,8% a/a, em linha com o crescimento da receita líquida.
O lucro líquido totalizou R$ 88,2 milhões no 1T26, queda de 27,9% a/a frente aos R$ 122,4 mi do 1T25. A deterioração é explicada pelo resultado financeiro de -R$ 35,9 mi no 1T26 vs. -R$ 19,8 milhões no 1T25 (pós-IFRS 16). Os vetores da piora foram: (i) menores patamares de subvenção; (ii) maiores despesas financeiras, por conta de maiores juros das debêntures emitidas no 2T25 e marcação a mercado de hedge associado à dívida em moeda estrangeira; e (iii) menor contribuição de IR diferido, devido ao menor ritmo de produção da fábrica e vendas entre empresas.
O consumo de caixa operacional (após IR, juros e arrendamentos) foi de R$ 71,6 mi no 1T26, melhora de R$ 102,9 mi em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi impactado pela antecipação de R$163,8 mi de recebíveis de cartão de crédito, estratégia de otimização de estoques e redução de compra de matéria-prima, principalmente ouro.
O Capex totalizou R$ 18,6 mi (-5,6% a/a), com o maior volume de aberturas de lojas e reformas compensado pela menor intensidade de investimentos em manufatura e tecnologia. A dívida líquida atingiu R$ 246,6 mi, com o índice Dívida Líquida/EBITDA Ajustado LTM em 0,3x — ante 0,5x no 1T25.
| Consenso Bloomberg | 35,64 |
| Preço Atual | 26,57 |
| Upside | 34% |
| Capitalização de Mercado (R$ bi) | 6,08 |
| Ações Emitidas (mi) | 236,20 |
| Free Float | 44,7% |
| Semana | +4,15% |
| Mês | -3,17% |
| Ano | -20,07% |
Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.