Monte Bravo Analisa — Resultado Vale 2T26

31/07/2026 • 2 mins de leitura

A Vale reportou na noite desta quinta-feira (30) seus resultado referente ao 2º trimestre de 2026.

Os números da companhia ficaram acima de nossas estimativas e do consenso de mercado. A surpresa positiva pode ser explicada por uma deterioração menor do que projetávamos nos custos da operação de Ferro e, em resposta, esperamos uma reação positiva aos números reportados no pregão de hoje (31).

A companhia revisou para cima o guidance de custo caixa e all-in de minério de ferro de suas operações para o ano. O aumento nas projeções se deve ao novo câmbio de equilíbrio adotado (5,60 vs 5,13) e aos custos de fretes. Com isso, o C1 sai de 20-21,5 USD/t para 22,5-23,5 USD/t e o all-in sai de 52-56 USD/t para 58-62 USD/t.

Em Metais Básicos, a Vale estreitou o guidance de produção, mantendo o topo e achatando o piso, além de revisar os custos para baixo. As alterações já eram esperadas pelo mercado e não devem gerar revisões de estimativas.

Além do guidance, a companhia anunciou sua política de remuneração aos acionistas com a distribuição de R$ 2,03 (2,66%) por ação — divididos em R$ 1,5687 em JCP e R$ 0,46 em dividendos — e uma nova recompra de ações de 100 milhões (2,3%) de ações.

O custo caixa da companhia ex-compras de terceiros atingiu US$ 24,1 (+12% na comparação anual), impactada pela valorização do câmbio, giro de estoques e custos relacionados à desconsolidação da Aliança Energia. Os impactos não foram maiores graças ao aumento da produção, que possibilitou uma maior diluição de custos fixos.

O custo all-in, que leva em consideração fretes, royalties e demais custos, também apresentou uma piora, com elevação de 18% para 61,6 USD. Apesar da piora, os números vieram abaixo de nossas projeções, dando mais conforto para nossas projeções de EBITDA para o ano — o que foi confirmado também pelo guidance da companhia.

Em Metais Básicos, tivemos novamente aumento de produção e ganhos operacionais, já se refletindo em maiores volumes e operações mais resilientes. O destaque ficou para as receitas geradas pelos subprodutos das operações, principalmente ouro e prata.

Durante algum tempo, defendemos em nossos relatórios que estávamos confortáveis com a tese em Vale pois as dúvidas que tínhamos em relação a performance da companhia estavam sendo respondidas com: (i) capacidade de aumento de produção e aumento da qualidade média do minério; e (ii) evolução nas operações de metais básicos.

Além das evoluções operacionais, a companhia conseguiu resolver outras questões  institucionais importantes nos últimos trimestres. O momento positivo para o preço do minério também serviu de gatilho para reconquistar o apreço dos investidores.

Continuamos confortáveis com a tese e esperamos que, durante os próximos trimestres, a companhia continue mostrando evolução na sua produção e acelerando a sua geração de Caixa — o que deve dar mais conforto para os investidores e possibilitar a aceleração da remuneração aos acionistas. Agora, o próximo desafio da Vale é entregar o aumento da produção em Cobre.

Vale (VALE3) — Compra

Preço Alvo90,00
Preço Atual76,09
Upside18%
Capitalização de Mercado (R$ bi)337
Ações Emitidas (mi)4.268
Free Float73,0%

Performance

Semana+2,33%
Mês-2,30%
Ano+5,13%

Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.

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