Análise de Empresas
17/07/2024 • < 1 minuto de leitura
Análise de Empresas — Relatório de Produção Vale 2T24
A Vale divulgou na noite de terça-feira (16) sua prévia…
O 1º trimestre da Track&Field foi marcado pelo crescimento da receita líquida, impulsionado principalmente pelo sell-in, além de apresentar avanço nas lojas próprias. Entretanto, houve leve contração da margem bruta devido à maior participação do sell-in no mix de vendas, canal com menor rentabilidade.
No plano estratégico, houve a inauguração da terceira franquia em Portugal, com perspectiva de abertura de mais duas unidades ao longo de 2026, sinalizando que a internacionalização está ganhando tração.
A receita líquida totalizou R$ 251,2 milhões no 1T26 (+18,0% a/a). O sell-in avançou +29,7% a/a, para R$ 69,7 milhões, elevando sua participação na receita total em +2,5 p.p. O crescimento reflete maiores vendas decorrentes da eficiência na troca de coleção, da boa receptividade da coleção Inverno 2026 e da adição de 36 novas franquias. O maior volume de sell-in tende a se converter em receita de royalties nos trimestres subsequentes, o que, se confirmado, deverá promover recuperação das margens ao longo do ano.
O canal de varejo (rede própria) cresceu +16,8% a/a, para R$ 126,4 milhões, com vendas em mesmas lojas (SSS) de +12,1%, impulsionado pelo forte desempenho no período de liquidação, pela abertura de 3 lojas próprias (56 unidades no 1T26 vs. 53 no 1T25) e pelo aumento das vendas das lojas reformadas, cujas unidades próprias avançaram +35,6% a/a. Além disso, a dinâmica foi favorecida pelo aumento de +13,5% no número de tickets e de +10,5% no volume de peças vendidas, com ticket médio de R$ 399,66 (+2,8% a/a).
A receita de royalties cresceu +12,8% a/a, para R$ 42,9 milhões, refletindo o bom desempenho das franquias, embora tenha perdido 0,8 p.p. de representatividade na receita total diante da aceleração do sell-in. A linha de TFSports/tfmall recuou -6,9% a/a, para R$ 11,1 milhões, impactada pelo fim do PERSE, que restabeleceu a apuração de PIS/COFINS sobre essa vertical. No digital, o e-commerce captado atingiu R$ 56,0 milhões (+28,5% a/a), representando 12,6% do sell-out total (+1,2 p.p. a/a), com 66% do volume entregue via ship from store, reforçando a complementaridade entre os canais físico e digital.
A margem bruta recuou -1,2 p.p. a/a, para 59,8%, resultado atribuído ao aumento da participação do sell-in no mix de receitas (+2,5 p.p. YoY). Como as vendas de mercadorias para franquias carregam estruturalmente menor margem em relação ao varejo próprio e aos royalties, a aceleração desse canal dilui a margem consolidada. Contudo, a maior geração de royalties nos próximos períodos deve neutralizar esse impacto de mix. Desconsiderando esse efeito, a margem bruta teria permanecido estável a/a.
As despesas operacionais ajustadas representaram 35,3% da receita líquida, em linha com o 1T25. As despesas com vendas subiram +0,9 p.p. a/a como percentual da receita, reflexo da normalização dos investimentos em marketing após o nível atipicamente baixo observado no 1T25. Em sentido oposto, as despesas G&A apresentaram diluição de -1,4 p.p. a/a.
O EBITDA ajustado atingiu R$ 61,6 milhões (+12,6% YoY), com margem EBITDA ajustada de 24,5% (-1,2 p.p. YoY). A compressão é explicada pela queda na margem bruta, uma vez que a linha de despesas operacionais permaneceu estável. Desconsiderando o efeito de mix de canais, a margem EBITDA teria permanecido praticamente estável.
O lucro líquido ajustado totalizou R$ 41,5 milhões (+6,3% a/a), com margem líquida ajustada de 16,5% (-1,8 p.p. a/a). A queda é explicada pelo resultado financeiro ajustado de -R$ 4,9 milhões, com crescimento de 49,2% a/a. O resultado foi impactado pela redução de -29,0% das receitas financeiras e pelo aumento de +27,7% das despesas financeiras com contratos de arrendamento, associado à ampliação da rede física e ao aumento dos passivos de arrendamento.
A geração de caixa operacional totalizou R$ 51,4 milhões no 1T26 (-12,8% a/a). A variação reflete três efeitos principais: (i) aumento de 54,9% no IR/CS pago (R$ 12,2 milhões vs. R$ 7,9 milhões no 1T25); (ii) maior consumo de estoques (-R$ 47,7 milhões vs. -R$ 39,6 milhões), em linha com a estratégia de otimização do abastecimento da rede; e (iii) alongamento dos prazos de recebimento, consequência do maior volume de sell-in no mix de vendas.
No fluxo de caixa de investimentos, foram aplicados R$ 10,7 milhões (+24,6% a/a), direcionados a reformas e inaugurações de lojas próprias, além do desenvolvimento da plataforma TFSports. A companhia não possui endividamento e financia seus investimentos exclusivamente com geração de caixa. O caixa líquido foi de R$ 63,6 milhões, enquanto a liquidez total (incluindo recebíveis de cartões) atingiu R$ 163,9 milhões.
| Preço Alvo | 19,67 |
| Preço Atual | 15,51 |
| Upside | 27% |
| Capitalização de Mercado (R$ bi) | 2,35 |
| Ações Emitidas (mi) | 65,49 |
| Free Float | 76% |
| Semana | +0,58% |
| Mês | -3,54% |
| Ano | -4,85% |
Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.