Monte Bravo Analisa — Resultado Taesa 2T26

12/08/2026 • 3 mins de leitura

A Taesa divulgou nesta terça-feira (11) após o pregão seus resultados do 2º trimestre de 2026.

A operação da companhia fechou o período em linha com as projeções: receita, EBITDA, margem, Capex e RAP bateram com o modelo.

O ponto que destoa — no mesmo padrão que já vimos na ISA Energia (ISAE3) neste trimestre — é o resultado financeiro: a despesa financeira liquida regulatória do semestre superou nossa estimativa e pressionou a última linha.

Junto com o resultado, a companhia anunciou que irá distribuir R$ 206,8 milhões (R$ 0,60/unit), divididos entre JCP e dividendos, para os seus acionistas. As ações ficarão ex-proventos no dia 17 de agosto e o pagamento está programado para dia 26 de novembro.

A RAP da Companhia (controladas, investidas em conjunto e coligadas) para o ciclo 2026-27 foi homologada pelo Despacho ANEEL nº 2.268/2026 em R$4,6 bilhões, com vigência a partir de julho, ou seja, impactando o resultado apenas a partir do 3T26 — em linha com o que já tínhamos no nosso modelo. Em 30 de junho de 2026, a RAP operacional ficou em R$ 4,3 bi. Destacamos a energização parcial de Tangará, Ananai e Saíra (2ª fase) no trimestre, que já autorizou mais R$ 119,5 mi de RAP nova no ciclo 2026-27, e o avanço físico desses projetos: 99,8%, 99,2% e 98,3%, respectivamente.

A receita liquida regulatória do semestre somou R$ 1,334 bi (+9,5% a/a) e o EBITDA regulatório ficou em R$ 1,139 bi (+10,5%), com margem de 85,4% — praticamente idêntica à margem que adotamos como premissa (85,5%). O Capex de reforços e melhorias do semestre somou R$ 445,3 mi (-40,5% a/a).

Na base regulatória, a qual usamos no modelo, o lucro líquido do semestre foi de
R$ 399,4 mi (-16,4% a/a). A causa para a queda foi a despesa financeira liquida regulatória do semestre, que somou R$ 674,8 mi. O release da própria Companhia atribui o aumento principalmente à variação monetária (+228,4%  t/t), decorrente da aceleração do IPCA (1,99% no 2T26 vs. 0,95% no 2T25) e do IGP-M (3,07% no 2T26 vs. -1,92% no 2T25) sobre a dívida indexada, além do maior volume médio de dívida.

No campo societário, a aquisição dos cinco ativos de transmissão da Energisa segue pendente de aprovação da ANEEL, sem data confirmada. Mantemos nossa premissa de efeito parcial em 2026 (20%) e a maior parte (80%) em 2027. A 22ª emissão de debêntures (R$ 1,7 bi, com taxa DI +0,40% e vencimento em janeiro de 2028), que já havíamos incorporado ao modelo como financiamento da aquisição, aparece agora detalhada na tabela de endividamento do release, junto com o restante da dívida proporcional da companhia. A Taesa reportou ter R$ 13,809 bi de dívida bruta e R$ 13.002 bi de dívida liquida, incluindo TBE, ETAU e AIE.

A Dívida Líquida/EBITDA proporcional ficou em 4,2X, estável frente ao 1T26 e em linha com a nossa trajetória. A companhia manteve o payout de 100% do lucro líquido regulatório, distribuindo R$ 206,8 mi em proventos referentes ao 2T26.

Também destacamos que o release trouxe, pela primeira vez, o valor residual (ativos não depreciados) da companhia discriminado por ano de vencimento de concessão.  O RAP em “risco” gira em torno de R$ 1,6 bi, cerca de 40% do total, e está concentrado no triênio 2031-33. Com a atualização, testamos cenários alternativos de renovação de concessões para estabelecer nosso preço-alvo de forma ponderada, dado o quanto a tese é sensível a essa variável.

Nosso caso base assume a re-licitação das concessões que vencem entre 2031 e 2033, com a Taesa recapturando parte dos próprios ativos (30% de probabilidade; deságio médio de 35,7%). Este cenário nos leva a um preço-alvo de R$ 27,92 e TIR real de 1,1%.

Em um cenário de renovação parcial, em que metade das concessões são renovadas sem leilão ou deságio e a outra metade segue o mecanismo de recaptura, o preço-alvo sobe para R$ 40,30 e a TIR real vai a 10,3% — acima do nosso custo de capital de 9,0%.

No teto estrutural da tese, com 100% das concessões renovadas e sem necessidade de follow-on, o preço-alvo chega a R$ 50,19. No entanto, não atribuímos uma probabilidade elevada a esse desfecho, dado que o Decreto 11.314/2022 prioriza a re-licitação sobre a renovação.

Ponderando os três cenários com chances de 60% para o caso base, 30% para a renovação parcial e 10% para a renovação integral, chegamos a um preço alvo de R$33,86. O número representa um downside de 11,6% sobre o preço atual de R$38,30, com TIR real ponderada de 5,1% — ainda abaixo do nosso custo de capital, o que sustenta a recomendação de Venda.

Temos recomendação de Venda para os papéis da companhia (TAEE11), com preço-alvo de R$ 34 por ação e TIR real de 5,1% ao ano. Seguimos monitorando como os principais riscos a tese: (i) o desfecho da aprovação da ANEEL para a aquisição da Energisa, sem data confirmada; (ii) o desfecho da Consulta Pública ANEEL 043/2025 sobre indenização de ativos não depreciados, com conclusão esperada no segundo semestre de 2026; e (iii) a probabilidade real de renovação parcial de concessões, a variável com maior poder de mudar a leitura da tese hoje.

Taesa (TAEE11) — Venda

Preço Alvo34,00
Preço Atual38,18
Upside-11%
Capitalização de Mercado (R$ bi)13,15
Ações Emitidas (mi)344
Free Float30,0%

Performance

Semana-4,55%
Mês-7,67%
Ano-9,03%

Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.

Se você tem
Monte Bravo, Bravo!

Invista com quem ajuda você a alcançar o próximo topo.

Abra sua conta