Análise de Empresas
17/07/2024 • < 1 minuto de leitura
Análise de Empresas — Relatório de Produção Vale 2T24
A Vale divulgou na noite de terça-feira (16) sua prévia…
A Suzano divulgou na noite desta quarta-feira (12) seus resultados referentes ao 2º trimestre de 2026.
Diferente do trimestre passado, os números vieram praticamente em linha com nossas estimativas e com as projeções do mercado. Esperamos uma reação neutra das ações (SUZB3) no pregão de de hoje (13).
Esperamos com atenção a conferência de resultados desta manhã, onde queremos ouvir a diretoria sobre: (i) como se chega ao custo caixa de R$ 800/t na média do ano; (ii) o momento operacional da unidade de embalagens nos EUA; (iii) números da joint venture com a Kimberly-Clark e o impacto real na meta de alavancagem; e (iv) a leitura da administração sobre a queda de preço de celulose já observada desde o fechamento do trimestre.
Na unidade de celulose, a companhia reportou Receita Líquida de R$ 8,76 bilhões (+5% t/t; -15% a/a), com volume de 2.897 mil toneladas (+ 2% t/t; -11% a/a). O preço líquido de exportação foi de US$ 601/t (+7% t/t; +8% a/a), o que confirma que os aumentos anunciados nos meses anteriores foram efetivamente capturados, com destaque para Europa e América do Norte — regiões que também receberam maior volume no trimestre. O EBITDA da unidade foi de R$ 4,18 bi (+3% t/t; -22% a/a), com EBITDA por tonelada de R$ 1.444.
O custo caixa de produção sem paradas ficou em R$ 843/t (+5% t/t; +1% a/a), dentro do intervalo de R$ 830/t a R$ 840/t que a companhia havia projetado e praticamente em cima do que o mercado estimava. O que decepcionou foi o custo com paradas, de R$ 972/t (+10% t/t; +16% a/a), já que o efeito das manutenções programadas saltou para R$ 129/t, contra algo entre R$ 80/t e R$ 85/t que modelávamos.
A companhia manteve a projeção de custo caixa médio de aproximadamente R$ 800/t para 2026, o que exige um segundo semestre próximo de R$ 778/t (vs. R$ 822/t de média do primeiro semestre), uma queda de cerca de 8% frente ao nível do 2T26. Somos céticos com a magnitude, mas reconhecemos dois ventos a favor: (i) o Brent fechou o trimestre em US$ 72,95/bbl contra a premissa de US$ 84/bbl usada no guidance; e (ii) o calendário de paradas praticamente esvazia, com apenas duas linhas paradas no 3T26 e nenhuma no 4T26, o que ajuda na diluição de custo fixo. Contra isso, pesa o câmbio de fechamento de R$ 5,18 contra a premissa de R$ 5,07. Este é o principal ponto a testar no call.
A unidade de papel, novamente, foi o destaque negativo e ficou abaixo do que projetamos. A receita foi de R$ 2,83 bi (+8% t/t), com volume de 406 mil toneladas (+7% t/t; -1% a/a) e preço médio de R$ 6.974 (+1% t/t; -5% a/a). O EBITDA foi de
R$ 521 mi (-1% t/t; -27% a/a), com margem caindo de 24% no 2T25 para 20% no 1T26 e 18% no 2T26.
O custo caixa implícito por tonelada — que calculamos como preço líquido menos EBITDA por tonelada — subiu para R$ 5.693/t (vs. R$ 5.548/t no 1T26), o que confirma que a compressão é integralmente de custo e não de preço. Seguem pesando as tarifas americanas, os problemas operacionais no retorno da parada de maio na operação de embalagens nos EUA e o avanço de 30% a/a da importação asiática de papel cartão no Brasil — este último um vetor competitivo que passamos a monitorar com mais atenção.
A geração de caixa foi o grande destaque do trimestre, com Fluxo de Caixa Livre Ajustado de R$ 3,32 bi (vs. R$ 586 mi no 1T26 e R$ 2,62 bi no 2T25), porém é justamente aqui que pedimos calma. Dos R$ 2,30 bi de Fluxo de Caixa Livre reportado, R$ 824 mi (36% do total) vieram de ajustes caixa de derivativos e outros R$ 483 mi de liberação de capital de giro. Excluindo apenas os derivativos, o Fluxo de Caixa Livre Ajustado cresce 1,1% a/a, e não os 27% reportados.
Na alavancagem, a dívida líquida caiu 3% t/t para R$ 66,1 bi, ou US$ 12,8 bi, mas o indicador subiu de 3,3x para 3,4x em dólares porque o EBITDA dos últimos 12 meses continua caindo. É importante entender que a alavancagem está subindo por denominador e não por aumento de dívida, o que é uma diferença relevante de qualidade.
Sobre a joint venture com a Kimberly-Clark, concluída em 1º de julho, o release em si é praticamente silencioso, então vamos utilizar os dados que temos. A operação tem receita líquida pro forma de aproximadamente US$ 3,3 bi e EBITDA ajustado pro forma de cerca de US$ 0,5 bilhão, com ganhos de eficiência estimados em US$ 175 mi ao ano, com captura integral em três anos.
Somando o pagamento de US$ 1,3 bi e a dívida líquida de aproximadamente US$ 1,0 bi da joint venture, que passa a ser consolidada — já que a Suzano detém o controle com 51% —, a dívida líquida pro forma vai para cerca de US$ 15,1 bi. Contra isso, entra o EBITDA da nova operação, e a alavancagem pro forma fica em torno de 3,5x, voltando aos 3,4x atuais apenas quando as sinergias forem integralmente capturadas. Ou seja, a afirmação da companhia de impacto limitado na alavancagem se sustenta.
No mercado de celulose, o trimestre mostrou uma fibra curta resiliente, com o consumo europeu crescendo 5,2% a/a e estoques portuários em 1,3 mi de toneladas, abaixo do normal, enquanto a China seguiu pressionada pelo ramp-up de novas capacidades integradas e pelo excesso de fibra longa. O ponto interessante é que o mesmo ramp-up chinês — somado a eventos climáticos — elevou o preço do cavaco importado e doméstico e pressionou o custo dos produtores locais, o que ajuda a sustentar o preço pelo lado do custo marginal, tese que já vínhamos defendendo.
O problema é que o preço à vista recuou desde o fechamento do trimestre, com a fibra curta na China rodando em torno de US$ 563/t contra os US$ 601/t que a companhia realizou. Isso significa que a realização do 3T26 deve cair e não apenas desacelerar. Somando isso ao vazio de hedge que comentamos, o próximo trimestre vem desfavorável em duas frentes ao mesmo tempo.
Continuamos construtivos com a tese, que segue apoiada nos mesmos pilares de sempre, ou seja, posição de custo líder, alocação de capital que amadurece, geração de caixa robusta e um valuation deprimido — com a ação caindo 22% em 12 meses e um desempenho 40 p.p. abaixo do Ibovespa.
Precisamos, porém, reconhecer que dois dos vetores que usávamos nas nossas projeções se moveram contra nós. O primeiro é o câmbio, que se mostrou mais favorável ao real do que projetávamos, com média de R$ 5,05 no trimestre e fechamento em R$ 5,18, o que comprime diretamente as margens em reais de uma companhia que vende em dólar e gasta em real. O segundo é o mercado de celulose, que segue mais pressionado do que assumíamos, com o preço de equilíbrio ainda sofrendo com a entrada de capacidade integrada na Ásia e com a queda já observada nas referências desde o fim de junho.
Diante disso, reduzimos nosso preço-alvo para R$ 55 por ação, o que ainda representa um potencial de valorização de cerca de 33% sobre o fechamento de R$ 41,45. Nosso alvo considera um EBITDA de R$ 24,7 bi em 2027, já incluindo a consolidação integral da joint venture e uma captura apenas parcial das sinergias, um múltiplo alvo de 5,5 vezes EV/EBITDA —conservador frente à média histórica da companhia — e uma dívida líquida projetada de R$ 68,0 bi ao fim de 2027.
Mantemos a recomendação de compra, mas com uma ressalva de curto prazo. Entendemos que o 3T26 tende a ser um trimestre de comparação fraca em preço e em caixa. O mercado pode reagir mal a números que serão, em boa parte, apenas calendário.
| Preço Alvo | 84,00 |
| Preço Atual | 44,82 |
| Upside | 87% |
| Capitalização de Mercado (R$ bi) | 56,66 |
| Ações Emitidas (mi) | 1.209 |
| Free Float | 52,0% |
| Semana | -5,54% |
| Mês | -13,64% |
| Ano | -13,59% |
Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.