Análise de Empresas
17/07/2024 • < 1 minuto de leitura
Análise de Empresas — Relatório de Produção Vale 2T24
A Vale divulgou na noite de terça-feira (16) sua prévia…
A Porto divulgou hoje (07), antes da abertura do mercado, seu resultado do 2º trimestre de 2026.
Os números da companhia foram pressionados pela deterioração na qualidade da Carteira de Crédito da vertical de Banking e ficaram abaixo de nossas estimativas e do mercado. Com isso, as ações da companhia (PSSA3) reagiram mal: por volta das 13h, o papel caía quase 5%.
A companhia revisou o guidance de 2026 no mesmo dia. Isoladamente, a revisão do Porto Bank foi para pior: a expectativa de receita da vertical foi revisada para cima em R$ 200 milhões, mas as perdas de crédito foram revisadas para cima em R$ 400 mi, o que deixa o resultado líquido implícito do banco pior do que o guidance anterior sugeria.
A Porto também revisou a faixa de sinistralidade da vertical Seguro para baixo em 0,5 ponto percentual no ponto médio — puxada pelo comportamento mais benigno de Auto — e reduziu a faixa de índice de eficiência do Bank em 3 p.p., mas a melhora nesse indicador específico não é suficiente para compensar o crédito.
No agregado, a companhia sinalizou que a revisão de guidance deveria ser neutra a levemente positiva para o lucro antes de impostos, o que implica uma revisão pós-impostos positiva. Achamos importante registrar essa mecânica porque, olhando de fora, o guidance revisado pode passar a impressão de que a companhia piorou a perspectiva do ano inteiro. Na verdade, porém, o efeito agregado é próximo de neutro, puxado para cima pelo imposto e por Seguro e para baixo pelo Bank.
Os números da vertical Seguro vieram sólidos. A sinistralidade de Auto caiu 1,8 p.p. na comparação anual, para 56,7% e, no call, a companhia atribuiu esta melhora a uma combinação de portfólio mais qualificado, capacidade analítica, tecnologia e relacionamento com corretores, mais do que a qualquer fator conjuntural isolado. Os prêmios de Auto continuam crescendo mês a mês, com disciplina de precificação mantida, e o ambiente competitivo — embora ainda apertado — aliviou um pouco na leitura da própria administração frente ao segundo semestre de 2025.
A Porto também lançou um seguro para taxistas, motoristas de aplicativo e motocicletas, movimento que amplia o endereçável de Auto sem depender de guerra de preço na base tradicional. O índice combinado ampliado da vertical Seguro fechou em 85,3% (+0,4 ponto percentual), com ROAE de 32,9% — o quinto trimestre consecutivo acima de 30%.
Porto Saúde também entregou um trimestre bom, com sinistralidade combinada de Saúde e Odonto caindo 0,4 p.p., para 76,9%, com um lucro líquido de R$ 143,9 milhões — alta de 36,4%, e ROAE de 24,0%. O ambiente segue competitivo e tecnicamente mais disputado, e a própria administração acredita que a indústria como um todo deve ver a sinistralidade subir no ano que vem. Vale guardar este comentário como sinalizador de ciclo, e não como previsão específica da Porto.
Nenhum desses dois pontos positivos, porém, compensou o Porto Bank. O ROAE da vertical caiu para 16,3% (vs. 27,6% no 2T25 e 24,8% no 1T26), com perdas de crédito de R$ 868,4 mi no trimestre (+67,3% a/a). No call, a companhia deu uma explicação mais fina da origem do problema: a deterioração está concentrada em um perfil específico de cliente de cartão de crédito, mais ativo em renegociação de dívidas, mais empreendedor e concentrado em regiões geográficas específicas, e não se trata de um problema disseminado pela carteira toda.
A companhia reduziu a base de cartões em 100 mil unidades na comparação trimestral. Lemos a redução como sinal de maior seletividade na concessão. A Porto também adotou um discurso mais conservador para a receita financeira líquida no guidance, com a maior parte do crescimento de receita esperado vindo de linhas de fee based, e não de margem financeira. O NPL de 90 dias piorou 1,20 p.p. no trimestre, enquanto o indicador antecedente de inadimplência inicial, o early NPL, melhorou 0,20 p.p. Esta é uma divergência que a própria companhia trouxe como sinal de que o pior do fluxo de entrada em atraso pode já ter passado, mesmo com o estoque de NPL ainda subindo.
Vale reforçar um ponto que já havíamos levantado no nosso relatório de início de cobertura do setor de seguros: tínhamos dúvidas específicas sobre o Porto Bank no curto prazo, justamente pela natureza mais nova e ainda em maturação da carteira de crédito dentro do ecossistema Porto. O ROAE reportado neste trimestre (16,3%) veio abaixo até do nosso próprio cenário de estresse, que partia de um ROAE implícito de 27,7% nas estimativas de mercado para 2026 e testava uma deterioração de até 20% como sensibilidade, não como caso base.
Em outras palavras: o resultado real do trimestre já superou, para pior, o que tratávamos como hipótese de risco isolado.
Com o papel caindo perto de 5% no pregão desta sexta-feira, o mercado parece estar precificando a leitura de que o Bank não é mais um risco de cauda, mas sim o motor concreto de reversão de rentabilidade do grupo neste momento. Seguimos com rating Neutro para os papéis da Porto.
| Preço Alvo | 56,00 |
| Preço Atual | 50,11 |
| Upside | 12% |
| Capitalização de Mercado (R$ bi) | 32,4 |
| Ações Emitidas (mi) | 646 |
| Free Float | 28,3% |
| Semana | -9,02% |
| Mês | -2,87% |
| Ano | +3,93% |
Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.