Monte Bravo Analisa — Resultado Petrobras 2T26

07/08/2026 • 3 mins de leitura

A Petrobras reportou na noite desta quinta-feira (07) seus resultados referentes ao 2º trimestre de 2026.

A companhia reportou números bem acima de nossas estimativas e das expectativas do mercado. O EBITDA ajustado sem eventos exclusivos de R$ 100,6 bilhões surpreendeu positivamente.

O motor da surpresa foi, mais uma vez, o preço realizado nas exportações de óleo: calculamos um preço médio de US$ 114/bbl no trimestre — um prêmio de aproximadamente 9% sobre o Brent médio do período. O mesmo descasamento temporal entre a precificação da carga e o reconhecimento contábil da receita que penalizou o resultado do 1T26 voltou a aparecer no 2T26, mas desta vez a favor da companhia.

Como de costume, a companhia anunciou a remuneração trimestral aos seus acionistas. A Petrobras realizará o pagamento de R$ 17,4 bilhões em dividendos e JCP intercalares (R$ 1,348 por ação; DY de 2,8%~3,0%), dentro da faixa de 2,5%~3,0% que projetávamos em nossa análise sobre os dados de produção. O valor segue a fórmula de 45% sobre o fluxo de caixa livre do trimestre e teria sido ainda maior não fosse o represamento de cerca de R$ 9,7 bi (~US$ 1,9 bi) em contas a receber ligadas ao programa de subvenção de diesel. Esse valor já compõe a receita e o lucro reportados, mas só deve ser efetivamente recebido do governo no próximo trimestre. É um efeito de timing, não de qualidade de resultado, esperamos que sua reversão no 3T26 dê um fôlego adicional à geração de caixa e, consequentemente, aos próximos dividendos.

No E&P, a produção confirmou exatamente o que havíamos antecipado no Relatório de Produção: 3.336 mil bpd (+3,4% t/t), com o pré-sal respondendo por 85% do óleo extraído. O destaque ficou por conta do custo de extração, que recuou 6,3% no trimestre para US$ 6,33/boe (US$ 4,45/boe no pré-sal), puxando o EBITDA por barril do segmento para um patamar historicamente elevado e acima das nossas projeções.

Já em RTC, o resultado também surpreendeu, sustentado por margens de refino elevadas e fator de utilização de 101%. No entanto, vale uma ressalva: cerca de
R$ 8,3 bilhões do lucro bruto do trimestre vieram do giro de estoque — o efeito contábil de vender como derivado, a preço de hoje, um petróleo que a companhia processou quando o Brent estava mais baixo — e não de margem de operação corrente. Expurgado esse efeito, o crescimento do lucro bruto do segmento cai de 10% para perto de 5% no trimestre. Ainda assim, esperamos que a margem de refino se mantenha em bons patamares no 3T26, pois a companhia vem sustentando sua política de preços de combustíveis, sem repasses agressivos que a pressionem.

Sobre os investimentos, o Capex caixa ficou em US$ 4,6 bi no trimestre, equivalente a 27% do guidance anual de Capex caixa (US$ 16,9 bi). Caso mantenha o ritmo, a companhia deve estourar o teto do guidance em 2026, como já vínhamos sinalizando.

Do lado do balanço, a dívida líquida recuou para US$ 60,4 bi e a alavancagem caiu para 1,14x dívida líquida/EBITDA (vs. 1,43x no 1T26). A melhora foi puxada mais pelo crescimento do EBITDA do que por desalavancagem ativa, já que a dívida bruta em dólares caiu de forma discreta no trimestre.

Mantemos nossa recomendação de compra para as ações da companhia, elevada em nosso último relatório. Entendemos que a tese segue sustentada por três pilares: (i)  produção segue crescendo de forma consistente e acima do que o mercado parece embutir nos preços atuais, com o portfólio de novos FPSOs ainda em fase de ramp-up; (ii) capacidade de sustentar a política de dividendos mesmo em um cenário de petróleo mais volátil; (iii) a reversão do capital de giro represado pela subvenção deve destravar uma nova rodada de caixa e dividendos já no 3T26.

Com o petróleo operando no patamar atual, o retorno via dividendos segue como o principal argumento de curto prazo para a tese. No entanto, entendemos que o valor do portfólio de exploração ainda não está plenamente reconhecido pelo mercado.

Petrobras (PETR4) — Compra

Preço Alvo48,50
Preço Atual42,13
Upside15%
Capitalização de Mercado (R$ bi)582
Ações Emitidas (mi)6.444
Free Float63,3%


Performance

Semana-2,11%
Mês+9,60%
Ano+37,19%

Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.

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