Análise de Empresas
17/07/2024 • < 1 minuto de leitura
Análise de Empresas — Relatório de Produção Vale 2T24
A Vale divulgou na noite de terça-feira (16) sua prévia…
A Natura divulgou seus números referentes ao 2º trimestre de 2026 na noite desta segunda-feira (10).
O resultado foi negativo, com má execução da companhia, principalmente em relação a gestão de estoques. Além disso, houve impacto negativo causado pela maior alíquota de imposto no Brasil e a variação cambial.
A companhia também revisou o guidance de EBITDA para 2026.
A companhia comunicou que, considerando o recuo de 4,90 pontos percentuais na margem EBITDA reportada no 1S26 em relação ao 1S25, entregar uma expansão de margem frente aos 14,1% reportados em 2025 exigiria a interrupção de iniciativas estratégicas e a redução de investimentos em valor de marca, marketing e P&D, medidas que a gestão optou por não adotar. Desse modo, a meta foi atualizada para entregar expansão da margem EBITDA reportada em relação ao nível reportado em 2025, abandonando a ambição anterior de expansão sobre o patamar recorrente.
A receita líquida recuou 9,1% a/a (7,1% em moeda constante). No Brasil, a receita caiu 14,8% a/a, pressionada por: (i) indisponibilidade de produtos e de gargalos na cadeia de suprimentos; (ii) descasamento tributário temporário do ICMS-ST em São Paulo; (iii) queda na atividade das consultoras, desempenho agravado pela menor disponibilidade de produtos; e (iv) transição do modelo de franquias, que interrompeu temporariamente o ritmo de aberturas e gerou desabastecimento nas lojas franqueadas.
Por marca no Brasil: a Natura recuou 14,5% e a Avon caiu 22,5% na comparação anual. A Avon sofreu queda mais severa, pois foi integrada à estrutura operacional da Natura após a Onda 2 e os problemas de abastecimento impactaram ambas. O canal Venda por Relações (não-digital) recuou 15,9% a/a, o Omni/Digital caiu 11,7% a/a — impactado pela nova política harmonizada de preços — e o Varejo recuou 3,0% a/a, com SSS de -4,3%.
Nos mercados hispânicos, a receita cresceu 0,7% em reais e 7,2% em moeda constante (CC), com crescimento de +2,3% em CC na Natura e 4,7% na Avon. O México foi o principal motor, com atividade comercial crescente e expansão das vendas cruzadas Natura/Avon, que compensaram a redução na base de consultoras. O canal de varejo hispânico cresceu 19,5% a/a, com a abertura de 26 lojas próprias nos LTM, com a estratégia de expansão física na região.
A margem bruta consolidada de 65,7% recuou 0,70 p.p. a/a, resultado da combinação do impacto negativo do ICMS-ST no Brasil (-0,60 p.p.) e da pressão de margens na Argentina, parcialmente compensados pelos ganhos no México. No Brasil, a margem bruta de 68,5% recuou 0,60 p.p. a/a. Nos mercados hispânicos, a margem bruta de 61,8% ficou estável na comparação anual, com o México compensando a contração na Argentina.
Tanto as despesas com vendas, quanto as despesas G&A caíram nominalmente, mas aumentaram como percentual da receita. As despesas de transformação foram zeradas na comparação anual (vs. R$99 milhões no 2T25).
O lucro líquido de R$ 35 mi foi a principal decepção, com queda de 92,1% a/a. O EBIT caiu 31,0% no Brasil, mas o principal elemento para a queda do lucro líquido foi o resultado financeiro, que deteriorou para -R$ 297 mi (vs. R$ 23 milhões no 2T25). Além disso, a alíquota efetiva de IR/CSLL foi de 64,9%, reflexo da linearização tributária no Brasil.
A companhia não incluiu a obrigação financeira de R$ 723 mi relacionada ao Natura Pay FIDC (vs. R$ 580 mi no 1T26), representando um aumento da necessidade de capital no período. Desse modo, houve distorção da dívida líquida e, consequentemente, do indicador Dívida Líquida/EBITDA, que ficou em 2,06x (reportado; vs. 2,12x no 1T26). Os aparentes esforços da companhia para redução do endividamento não parecem estar trazendo resultados.
O EBITDA consolidado foi de R$ 620 mi, com margem de 12,0%. Em relação ao reportado do 2T25 (que incluía R$ 138 mi de itens ajustados), a variação foi de +0,40 p.p. Em relação ao EBITDA recorrente do 2T25, houve uma contração de 2 p.p.
O Brasil gerou R$ 504 mi de EBITDA (margem de 16,4%; -3,70 p.p. ante recorrente), impactado pelo descasamento tributário (-1,90 p.p.), despesas rescisórias (-0,50 p.p.) e desalavancagem de vendas (-1,30 p.p.). Os mercados hispânicos foram mais positivos, com EBITDA de R$ 160 mi (+92,7% a/a reportado; +40,6% recorrente) e margem de 7,6% (+2,20 p.p. recorrente), sustentada pelos ganhos de G&A do novo modelo operacional.
Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.