Monte Bravo Analisa — Resultado Minerva 4T25

19/03/2026 • 2 mins de leitura

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A Minerva divulgou nesta quarta-feira (18) pela noite seus resultados do 4º trimestre de 2025.

A companhia apresentou resultados bem inferiores às estimativas das casas de análise. No entanto, se levarmos em consideração a performance das ações nos últimos pregões, é provável que o buyside já tivesse esperando números parecidos com os divulgados.

Não nos surpreenderia uma performance levemente negativa no pregão de hoje (19).

O ano de 2025 foi importante pois a companhia conseguiu entregar bons resultados de suas novas operações recém adquiridas da Marfrig — inclusive reportando uma rentabilidade melhor do que esperávamos.

Durante o call de resultados do 3T25, e após uma geração de caixa bastante robusta no trimestre, o CFO da Minerva divulgou que esperava números negativos no 4T25, com queima de aproximadamente R$ 500 milhões. Estes números foram entregues e, portanto, não deveríamos ter uma novidade relevante nesse quesito.

Um ponto de atenção para acompanharmos nos próximos trimestres é como se dará a evolução de Fornecedores e Adiantamento de Clientes. Esta rubrica tem rodado em uma porcentagem da receita acima da média e ajudou no processo de desalavancagem.

Outro ponto de atenção é a imposição de cotas de importação na China, que podem reduzir a atratividade de gado exportado via Brasil. Esta questão, porém, pode ser contrabalanceada com exportação de outras geografias da companhia e o aumento de exportação das plantas da Argentina para os EUA.

Os dados operacionais foram mistos, com queda de volumes sendo mais relevantes do que o aumento de preços, que — apesar de melhorar as margens brutas — não foi suficiente para um crescimento de receita na comparação trimestral.

Essa desalavancagem operacional, fruto dos menores volumes, foi inclusive responsável por piores margens EBITDA, já que as despesas aumentaram em relação às vendas. 

A grande questão passa a ser como as coisas devem evoluir para os próximos trimestres, pois devemos ter a virada de ciclo no Brasil e maiores dificuldades para exportação de carne nos próximos trimestres — conforme discutimos acima.

A companhia apresentou queima de R$ 408 milhões, explicada por um consumo de capital de giro que manteve a alavancagem estável em relação ao trimestre anterior. A situação da estrutura de capital continua controlada com a companhia tendo recursos em caixa para honrar seus compromissos até meados de 2028. Apesar disso, é importante se atentar a como esses parâmetros irão evoluir durante o ano e se a companhia conseguirá permanecer com parâmetros elevados de adiantamentos e fornecedores.

Os receios que tínhamos sobre as ações da companhia são muito menores, pois a gestão mostrou mais uma vez sua competência. É verdade que esperávamos que a companhia tivesse aproveitado o ciclo positivo de gado para aumentar de maneira considerável a remuneração aos acionistas. No entanto, em uma oportunidade de mercado, a companhia decidiu aumentar de maneira relevante sua presença com aquisição das plantas da Marfrig, que agora têm gerado bons resultados.

Mantemos a recomendação neutra para os papéis da Minerva (BEEF3). Estamos, todavia, reduzindo nosso preço-alvo para R$ 6 por conta do cenário mais desafiador para margens e exportações durante o ano de 2026.

Minerva (BEEF3) — Neutra

Preço Alvo6,00
Preço Atual4,01
Upside50%
Capitalização de Mercado (R$ bi)4
Ações Emitidas (mi)1.168
Free Float43,00%

Performance

Semana-7,60%
Mês-29,33%
Ano-25,51%

Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.

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