Monte Bravo Analisa — Resultado Mercado Livre 4T25

25/02/2026 • 2 mins de leitura

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O Mercado Livre divulgou seus resultados referentes ao 4º trimestre de 2025 nesta terça-feira (24).

Os números reportados foram mistos, com os bons indicadores operacionais ofuscados pelas pressões nas margens — o que explica a performance bastante negativa do papel no pregão de hoje (25).

O trimestre foi marcado por forte crescimento operacional e financeiro. A companhia reportou receita líquida total de US$ 8,8 bilhões, representando um crescimento de 45% ano a/a. Este resultado foi impulsionado por um maior volume de vendas e expansão do crédito.

No segmento de e-commerce, o Volume Bruto de Mercadorias (GMV) alcançou cerca de US$ 19,9 bilhões, um crescimento de 36,6% a/a. O número de compradores únicos e a frequência de compra continuaram avançando, refletindo um maior engajamento da base de usuários. A estratégia logística permaneceu central para a proposta de valor, com alta penetração do fulfillment e entregas rápidas sustentando ganhos de participação de mercado nos principais países da região — especialmente Brasil e México.

No braço financeiro, o Total Payment Volume (TPV) atingiu aproximadamente US$ 83,7 bilhões, crescimento de 42,1% yoy, demonstrando expansão robusta tanto dentro quanto fora da plataforma de marketplace. O Mercado Pago seguiu ampliando sua base de usuários ativos e fortalecendo o ecossistema de soluções financeiras, incluindo cartões, adquirência e serviços digitais. A estratégia de crescimento integrada entre e-commerce e fintech continuou sendo um diferencial competitivo relevante.

O portfólio de crédito encerrou o trimestre em torno de US$ 12,5 bilhões, quase dobrando em relação ao ano anterior. A carteira manteve crescimento acelerado em crédito ao consumidor, crédito para vendedores e cartão de crédito. Apesar da expansão, os indicadores de inadimplência permaneceram sob controle. A empresa destacou disciplina na originação e uso intensivo de dados proprietários para gestão de risco, o que contribui para o equilíbrio entre crescimento e qualidade da carteira.

Em termos de rentabilidade, o lucro operacional (EBIT) foi de aproximadamente US$ 889 milhões, enquanto o lucro líquido ficou próximo de US$ 559 milhões no trimestre. A margem líquida foi de 6,4%, refletindo investimentos estratégicos em logística, subsídios de frete, expansão do negócio 1P (vendas diretas) e crescimento do crédito.

O Mercado Livre continua em fase de expansão estrutural. A companhia combina crescimento acelerado de receita, fortalecimento das métricas operacionais e avanço relevante em crédito, ainda que com margens pressionadas por investimentos estratégicos.

Não é a primeira vez que a Meli troca um pouco de margem por crescimento. O mercado massacrou eles quando resolveram abandonar o Correios e criar uma logística proprietária. Vamos continuar acompanhando.

Estamos começando nossa cobertura do papel com um preço-alvo de R$ 120 por ação. Também entendemos que a reação do mercado hoje parece exagerada, pois nossos maiores receios estavam em possíveis perdas de market share graças a competição acirradas com players chineses — o que não vimos nos números divulgados. A perda de margem é momentânea e a companhia está realizando muito bem a estratégia de defesa e expansão da participação no mercado.

Mercado Livre (MELI) — Compra

Preço Alvo BBG (R$)120
Preço Atual (R$)74,4
Upside61%
Capitalização de Mercado (US$ bi)87
Ações Emitidas (mi)51
Free Float100,00%

Performance

Semana-15,21%
Mês-22,99%
Ano-17,37%

Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.

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