Monte Bravo Analisa — Resultado Mercado Livre 1T26

08/05/2026 • 2 mins de leitura

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O Mercado Livre divulgou seus resultados referentes ao 1º trimestre de 2026 na noite desta quinta-feira (07).

Os números reportados foram mistos, com os bons indicadores operacionais sendo ofuscados pelas pressões nas margens.

A gestão continua com foco em acelerar o crescimento, dando indicativos de que as margens devem continuar pressionadas no curto prazo. Isso nos leva a acreditar que nossas estimativas de margens EBIT próximas de 9% parecem altas.

Para o pregão de hoje (08), esperamos uma reação negativa do mercado aos números divulgados e aos comentários da gestão.

Entendemos a decisão da gestão. Como temos discutido, enxergamos vários indicativos de que os investimentos realizados têm gerado ganhos relevantes em diversas áreas da companhia (1P, Crédito, Cross-Border, etc.). Qualquer realização mais acentuada das ações nos parece uma boa oportunidade de entrada. 

O trimestre foi marcado por forte crescimento operacional e financeiro. A companhia reportou receita uma líquida total de US$ 8,84 bilhões, com crescimento de 49% na comparação anual. A receita foi impulsionado por maior volume de vendas e expansão do crédito.

No segmento de e-commerce, o Volume Bruto de Mercadorias (GMV) alcançou cerca de US$ 19 bi (+42% a/a). O número de compradores únicos e a frequência de compra continuaram avançando, refletindo maior engajamento da base de usuários. A estratégia logística permaneceu central para a proposta de valor, com alta penetração do fulfillment e entregas rápidas, sustentando ganhos de participação de mercado nos principais países da região — especialmente Brasil e México.

No braço financeiro, o Total Payment Volume (TPV) atingiu aproximadamente
US$ 87 bi (+50% a/a), demonstrando expansão robusta tanto dentro quanto fora da plataforma de marketplace.

O Mercado Pago seguiu ampliando sua base de usuários ativos e fortalecendo o ecossistema de soluções financeiras, incluindo cartões, adquirência e serviços digitais. A estratégia de crescimento integrada entre e-commerce e fintech continua sendo um diferencial competitivo relevante.

O portfólio de crédito encerrou o trimestre em torno de US$ 14,5 bi, quase dobrando em relação ao ano anterior. A carteira manteve crescimento acelerado em crédito ao consumidor, crédito para vendedores e cartão de crédito. Apesar da expansão, os indicadores de inadimplência permaneceram sob controle. A empresa destacou disciplina na originação e uso intensivo de dados proprietários para gestão de risco, o que contribui para equilíbrio entre crescimento e qualidade da carteira.

Em termos de rentabilidade, o lucro operacional (EBIT) foi de aproximadamente US$ 611 milhões, enquanto o lucro líquido ficou próximo de US$ 417 mi no trimestre. A margem EBIT foi de 6,1%, refletindo investimentos estratégicos em logística, subsídios de frete, expansão do negócio 1P (vendas diretas) e crescimento do crédito.

O Mercado Livre continua em fase de expansão estrutural. A companhia combina crescimento acelerado de receita, fortalecimento das métricas operacionais e avanço relevante em crédito — ainda que com margens pressionadas por investimentos estratégicos.

Não é a primeira vez que a Meli troca um pouco de margem por crescimento — o mercado massacrou eles quando resolveram abandonar os Correios e criar uma logística própria. Vamos continuar acompanhando.

Mercado Livre (MELI34) — Compra

Preço Alvo BBG (R$)120
Preço Atual (R$)73,49
Upside63%
Capitalização de Mercado (US$ bi)87
Ações Emitidas (mi)51
Free Float100,00%

Performance

Semana+0,63%
Mês-1,80%
Ano-18,38%

Análise por Bruno Benassi,

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