Análise de Empresas
17/07/2024 • < 1 minuto de leitura
Análise de Empresas — Relatório de Produção Vale 2T24
A Vale divulgou na noite de terça-feira (16) sua prévia…
A Renner divulgou seus números referentes ao 2º trimestre de 2026 na noite desta quinta-feira (06).
O resultado ficou abaixo das expectativas. A Renner registou baixo crescimento de receita e revisão para baixo do guidance de crescimento da companhia, anunciado no Investor Day em dezembro de 2025.
A companhia revisou o guidance de receita líquida para 2026 de 9–13% para 4–8%, refletindo o desempenho abaixo do esperado no 2T26. As projeções para os anos de 2027 a 2030 (crescimento de 9–13%) permaneceram inalteradas — o que nos parece bastante irrealista, já que a companhia tem dificuldades de entregar o cenário de um ano, imagine três anos a frente.
Os números fracos do resultado e, principalmente, a revisão do guidance do ano explicam por que os papéis (LREN3) estão sendo pressionados no pregão de hoje (07).
No trimestre, a Renner continua com o seu programa acelerado de remuneração ao acionista. A companhia já realizou aproximadamente 1/3 do seu programa de ações no 1º semestre de 2026, equivalente a 22 milhões de ações. Além disso, ela também anunciou R$ 438 milhões em JCP no semestre.
A receita líquida de varejo cresceu 1,1% a/a, abaixo de nossas projeções. A gestão atribuiu essa desaceleração a quatro fatores principais: (i) impacto da Copa do Mundo no fluxo das lojas físicas; (ii) ambiente macroeconômico desafiador; (iii) endividamento das famílias; e (iv) maior competição de plataformas cross-border.
O SSS consolidado das lojas físicas foi de 0,5%, e o SSS de vestuário atingiu 1,5%: ambos impactados pelo menor fluxo durante a Copa do Mundo. O GMV digital cresceu 13,1% a/a, com penetração de 16,9% (+1,7 p.p. a/a), atuando como amortecedor parcial da queda de tráfego físico: em dias de jogos, o consumidor migrou para o canal online, e ativações de CRM e melhorias da experiência de compra potencializaram as vendas digitais.
A marca Renner registrou receita de R$3,414 bilhões (+1,1% a/a), com vendas abaixo das expectativas devido ao menor fluxo durante a Copa do Mundo e ambiente competitivo mais agressivo. A Youcom cresceu 1,4% a/a, afetada por efeitos da transição de sistema de gestão, que prejudicaram o abastecimento de lojas em parte do período (já normalizado). A Camicado ficou praticamente estável (+0,2%), refletindo o ambiente mais desafiador em casa e decoração.
O ticket médio consolidado avançou modestamente para R$228,8 (+0,8% a/a), enquanto a receita líquida por m² recuou 1,1%, para R$4,49 mil. Esta última linha foi pressionada pela expansão de área de 2,2% a/a, em linha com o efeito de diluição durante o ciclo de aberturas.
O resultado de serviços financeiros (Realize) recuou 21,9% a/a. A pressão veio de três fatores: (i) as receitas líquidas de funding recuaram 2,0% a/a, reflexo da política de crédito seletiva; (ii) as perdas em crédito, embora tenham recuado 2,3% a/a em termos absolutos, avançaram 0,4 p.p. como proporção da carteira média, para 4,5%; e (iii) as despesas operacionais da Realize cresceram 8,1% a/a.
A carteira total recuou 1,0% a/a, enquanto a participação do Estágio 3 avançou 0,3 p.p. para 24,1% e a carteira vencida cresceu 0,6 p.p. para 29,0%. A seletividade na concessão de crédito é uma escolha deliberada e estrategicamente correta diante do ambiente macro desafiador, mas implica menor geração de resultado financeiro no curto prazo em troca de qualidade de carteira e menor risco de crédito futuro.
A margem bruta de varejo foi de 57,5% (+0,4p.p. a/a). A companhia teve um bom desempenho comercial, com maior participação de vendas a preço cheio, melhor alocação de estoques nas lojas, câmbio favorável nas compras importadas e ganhos de reatividade da cadeia de suprimentos. Na categoria de vestuário, a margem atingiu 58,7% (+0,3 p.p. a/a). A Camicado foi o destaque positivo, com margem de 57,9% (+2,0 p.p. a/a), impulsionada pela expansão da Home & Style (+4 p.p.) e gestão eficiente de estoques.
O EBITDA de varejo teve alta de +2,3% a/a, com margem de 21,4% (+0,2 p.p. a/a). As despesas operacionais totalizaram R$1,341 bi (+1,5% a/a), com crescimento abaixo da inflação e da expansão de área de +2,2%, sendo um resultado de iniciativas de eficiência e ganhos de produtividade. As despesas com vendas cresceram 3,6% a/a, explicadas pela expansão de área, enquanto o G&A cresceu 1,2%. As despesas de PPR e ILP recuaram 23,9% a/a, contribuindo positivamente para a linha. O EBITDA total ajustado recuou 5,3%, com margem de 22,9% (-1,5 p.p. a/a), puxado para baixo pelo desempenho negativo da Realize: o resultado de serviços financeiros caiu de
R$ 118,5 mi no 2T25 para R$ 68,5 mi no 2T26 (-21,9% a/a).
O lucro líquido ficou estável, com margem líquida de 11,0% (-0,1 p.p. a/a). O menor resultado da Realize foi compensado pelo crescimento do EBITDA do varejo e pela melhora do resultado financeiro de -R$45,9 milhões para -R$33,4 milhões (-27,1% a/a), beneficiado pelo maior rendimento de caixa e aplicações financeiras.
A geração de caixa foi de R$135,1 mi (vs. R$333,1 mi no 2T25). A redução é explicada por: (i) menor EBITDA consolidado, com a queda da Realize pesando no resultado; (ii) maior consumo de capital de giro de R$376,4 mi, reflexo principalmente de R$348,8 mi de consumo em contas a receber; e (iii) comparação desfavorável com o 2T25, quando houve geração expressiva na linha de estoques (R$267,6 mi) e em fornecedores, movimentos que não se repetiram. O Capex foi de R$167,0 mi no trimestre, praticamente em linha com o 2T25 (R$165,9 mi).
Os números foram fracos e bem abaixo do que esperávamos, e não foram piores porque a companhia manteve a disciplina no controle de despesas e foco em eficiência. Temos dúvidas inclusive de como será o comportamento dos resultados nos próximos trimestres, uma vez que o aumento do nível de estoque pode implicar em diminuição de margens no 3T26 caso a companhia siga para uma campanha de descontos. Além disso, não temos visto uma melhora do ambiente macro que indique uma melhora no fluxo e no volume de vendas.
Atingir o guidance revisado também nos parece uma tarefa hercúlea, pois o crescimento do próximo semestre deveria rodar na casa dos 9%. Como comentamos acima, o cenário parece continuar desafiador. Com tudo isso em consideração, estamos rebaixando as recomendações da companhia para Neutra e também revisamos nosso preço-alvo — que agora se encontra em R$ 13,50.
| Preço Alvo | 13,50 |
| Preço Atual | 11,78 |
| Upside | 15% |
| Capitalização de Mercado (R$ bi) | 12,3 |
| Ações Emitidas (mi) | 1.006 |
| Free Float | 100,0% |
| Semana | -13,55% |
| Mês | -12,16% |
| Ano | -10,39% |
Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.