Monte Bravo Analisa — Resultado Lojas Renner 1T26

08/05/2026 • 3 mins de leitura

📄 Para conferir a análise em formato PDF, clique aqui.

No 1º trimestre de 2026, a Renner registrou recordes históricos de margem bruta, lucro líquido e geração de caixa para o período.

O desempenho, alcançado mesmo com um crescimento modesto de receita, foi impulsionado pela melhor gestão de coleções, maior eficiência de estoques e redução nas remarcações de preços.

A companhia concluiu a transferência de estoques do CD do Rio de Janeiro para o de São Paulo. A mudança afetou a disponibilidade de produtos mais antigos no canal digital, com impacto estimado de 1,0 p.p. nas vendas totais do varejo. A normalização foi confirmada ao final de fevereiro, com perspectiva de ganhos estruturais de eficiência logística e redução de prazos de entrega.

Além disso, houve recompra de 6,6 milhões de ações e distribuição de R$ 217,4 mi em JCP. O lucro por ação foi de R$ 0,2621 (+23,5%). O guidance da companhia é de distribuição de capital entre 50% e 80% do lucro líquido para o período 2026–2030, com um crescimento anual de receita entre 9% e 13%.

As vendas em mesmas lojas (SSS) registraram crescimento de 3,2%, sustentadas por ganhos de ticket médio (+4,4% a/a, para R$ 202,0) e aumento no número de transações e taxa de conversão, que compensaram o menor fluxo de clientes. A receita por m² LTM alcançou R$ 17,2 mil (+6,3%), reforçando a tração de produtividade do portfólio de lojas.

Na marca Renner, a receita cresceu 5,1%, expansão de 4,0%, afetada pela indisponibilidade temporária de itens no canal digital. A Youcom teve crescimento de 14,4%, reflexo da boa aceitação de coleção e da expansão de 17,2% da área de vendas. A Camicado cresceu 2,2%, em linha com um ambiente de consumo mais moderado no segmento de home & decor. O canal digital (GMV 1P + 3P) cresceu 7,4%, atingiu R$ 627,1 mi e penetração de 16,6% (+0,5 p.p.), com uma conversão 14% superior ao 1T25 e melhoras na experiência do cliente. A receita por m² LTM alcançou R$ 17,2 mil (+6,3%), reforçando a tração de produtividade do portfólio de lojas.

A Realize teve redução de 1,2% na receita em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. O resultado foi impactado pela redução de receitas com juros em atraso, em função da estratégia de concessão de crédito seletiva. A política de crédito mais seletivo reduziu o crescimento da base de clientes. Porém, o ticket médio através de cartões próprios cresceu 5,4% (R$ 281,00), sendo 40% acima do ticket médio total da companhia, mostrando a relevância do braço financeiro como fidelizador.

A margem bruta de varejo atingiu 56,7% no 1T26, expansão de 1,6 p.p. frente ao 1T25. A margem de vestuário avançou 1,9 p.p., chegando a 58,0%. A melhora foi impulsionada por maior participação de vendas a preço cheio, resultado de ganhos de eficiência na cadeia de suprimentos e melhor alocação de estoques.

As despesas operacionais tiveram crescimento de 6,2% por conta de fatores não recorrentes relacionadas à transferência do CD do RJ para o de SP — cujo efeito se normalizará a partir do 3T26. Por outro lado, as despesas de G&A cresceram abaixo do ritmo da receita (+3,7%), demonstrando disciplina na gestão de estrutura. O guidance aponta redução de 2,5 a 3,5 p.p. nas despesas operacionais (ex-IFRS 16) sobre a receita até 2030, com iniciativas de eficiência previstas para o 2T26.

O EBITDA de varejo atingiu R$ 487,5 milhões (+23,5%), com margem de 17,0% (+2,7 p.p.), impulsionado principalmente pela melhora da margem bruta de varejo de 1,6 p.p. e crescimento de outras receitas e despesas — em razão, principalmente, da maior recuperação de créditos fiscais.

O lucro líquido foi de R$ 257,3 mi, crescimento (+16,4% a/a), reflexo da melhor performance operacional e da menor alíquota efetiva de IR/CS de 3,8%, que é um ponto a se observar nos próximos trimestres). A margem líquida avançou 0,9 p.p., para 8,9%.

A companhia teve geração de caixa livre de R$ 258,0 mi no trimestre vs. R$ 70,9 mi no 1T25 (+263,7%). O desempenho foi impulsionado pelo maior EBITDA operacional, mas o principal diferencial foi a gestão de capital de giro: a variação de capital de giro consumiu R$ 26,4 mi no 1T26 vs. R$ 234,3 mi no 1T25, com melhora de R$ 207,9 mi — impactada sobretudo pelo maior prazo de pagamento a fornecedores.

O ciclo financeiro recuou 8 dias ante o 1T25, encerrando em 105 dias, reflexo da melhor gestão de estoques e do alongamento do prazo com fornecedores.

Lojas Renner (LREN3) — Compra

Preço Alvo20,50
Preço Atual14,95
Upside37%
Capitalização de Mercado (R$ bi)14,6
Ações Emitidas (mi)1.006
Free Float100,0%

Performance

Semana+9,85%
Mês+0,95%
Ano+12,68%

Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.

Se você tem
Monte Bravo, Bravo!

Invista com quem ajuda você a alcançar o próximo topo.

Abra sua conta