Monte Bravo Analisa — Resultado Localiza 2T26

07/08/2026 • 4 mins de leitura

A Localiza divulgou na noite desta quinta-feira (06) seus resultados referentes ao 2º trimestre de 2026.

Os números vieram acima do consenso de mercado, puxados em boa parte por uma alíquota efetiva de imposto mais baixa do que o esperado (17,5% no trimestre) e por um resultado financeiro um pouco melhor.

O EBIT operacional veio levemente abaixo das estimativas e o EBITDA ficou basicamente em linha com as projeções, então vale o registro de que a magnitude da surpresa no lucro não deve ser extrapolada sem essa ressalva. Esperamos uma reação neutra a levemente positiva aos números divulgados, dado a realização do mercado antes dos números reportados e os números neutros.

Como tem sido costume nos últimos trimestres, o call de resultados realizado hoje (07) deve ser importante para entendermos a visão da gestão sobre a dinâmica do mercado de usados e os impactos esperados nas taxas de depreciação futura, tema que virou recorrente nos últimos releases.

Sobre depreciação: consideramos que fizemos bem ao questionar no trimestre passado se a companhia não estava sendo conservadora demais, dado o nível de margem que Seminovos vinha entregando.

Os números de agora mostram que não: a depreciação seguiu subindo, R$8.243 por carro em RAC (+9,9% na comparação anual e +3% frente ao 1T26) e R$9.198 em GTF (+8,5% a/a). Além disso, a gestão sinalizou que espera manter essa tendência nos próximos trimestres, dado o cenário atual da indústria automobilística brasileira.

O pano de fundo é a aceleração da entrada de marcas chinesas: as vendas de carros novos no Brasil cresceram 24% no primeiro semestre, mas os dados de julho já mostram queda de volume das montadoras tradicionais frente a um avanço forte das chinesas, o que pode pressionar preço de usado e valor residual à frente. Nos parece correto o time de gestão continuar tratando a depreciação como uma variável em observação — e não como um problema resolvido.

Em aluguel de carros, a companhia mudou o motor do crescimento. Depois de vários trimestres com a receita puxada quase inteiramente por tarifa, agora foi volume quem chamou a atenção: a diária média subiu 3,7% e atingiu R$154,4, um ritmo mais fraco que os 6% a 7% dos últimos trimestres. O volume alugado, porém, cresceu 6,8% na comparação anual — a primeira expansão relevante de volume em mais de dois anos e meio. A receita da divisão somou R$2.736 milhões (+11,2% a/a) e a margem EBITDA atingiu 67,6%, ajudada pela frota mais nova — a idade média caiu para 8,2 meses — e por créditos fiscais mais altos.

No segmento de gestão de frotas a companhia conseguiu aumentar a diária média em 5,7%, atingindo R$108,6. O número de diárias também voltou a crescer, ainda que discretamente, depois do processo de redução de exposição a contratos de uso severo em 2025. A margem fechou o trimestre em 75,6% (+4,6 p.p. a/a), com apoio adicional de menor PDD — fruto da melhora na qualidade da carteira de clientes.

No segmento de seminovos, a companhia continua o processo de reciclagem e atingiu 92 mil veículos vendidos (+34% a/a), superando mais uma vez a marca dos 90 mil veículos. A margem, no entanto, veio abaixo do esperado: 1,9% (-1,2 p.p. t/t), efeito do maior mix de SUVs — que carregam margem bruta menor — e dos custos de abertura e rebranding de lojas — movimento ligado à estratégia da companhia de aumentar a fatia de varejo no mix de venda ao longo do 2º semestre de 2026.

Um ponto que nos chamou atenção no trimestre foi a aceleração do Capex de frota. A companhia comprou 87,9 mil carros para RAC (+76% a/a) e a frota de RAC no Brasil encerrou o período em 365 mil veículos, um crescimento de quase 12% na comparação anual. Somado ao retorno do crescimento de volume em GTF, fica a pergunta se a companhia não está se preparando para uma nova fase de crescimento de frota, depois de mais de dois anos priorizando geração de caixa e recomposição de margem sobre expansão. Ainda é cedo para cravar isso, mas é um ponto que vale acompanhar nos próximos trimestres.

O ROIC spread anualizado fechou o semestre em 6,1 pontos percentuais (ou 5,6 p.p. excluindo o efeito do desinvestimento de subsidiárias), acima dos 4,7 p.p. de 2025 e dentro da faixa que a companhia persegue. Esta linha reforça que a recomposição de retornos não é apenas discurso.

Os últimos anos têm sido desafiadores para a indústria de locação de veículos, que tem enfrentado: (i) cenário de aumento do custo de capital; (ii) dúvidas sobre o mercado de veículos seminovos e competição de carros chineses; (iii) renovação de frotas após os anos desafiadores da pandemia; e (iv) maior depreciação por veículo. Esses fatores, somados, têm tornado a rentabilidade das companhias menor e levantado dúvidas sobre o modelo de negócio.

Apesar disso, continuamos enxergando a Localiza como uma companhia com um time de gestão bastante qualificado e que tem conseguido, nos últimos trimestres, entregar bons números mesmo com os desafios supracitados. O retorno do crescimento de volume em RAC e GTF reforça essa visão.

No entanto, graças às dúvidas que temos em relação ao nível de depreciação dos próximos trimestres e possíveis impactos de uma nova aceleração na projeção de lucros, estamos sendo mais conservadoras em nossas estimativas por aqui. Com isso, chegamos em um novo preço-alvo de R$ 48 para as ações da companhia (RENT3).

Localiza (RENT3) — Compra

Preço Alvo48,00
Preço Atual38,16
Upside26%
Capitalização de Mercado (R$ bi)52
Ações Emitidas (mi)1.053
Free Float78,4%

Performance

Semana+0,21%
Mês-2,38%
Ano-12,15%

Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.

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