Análise de Empresas
17/07/2024 • < 1 minuto de leitura
Análise de Empresas — Relatório de Produção Vale 2T24
A Vale divulgou na noite de terça-feira (16) sua prévia…
A Klabin divulgou nesta quarta-feira (05) seus resultados do 2º trimestre de 2026.
O EBITDA Ajustado de R$ 2,0 bilhões, acima das expectativas do consenso, reverteu boa parte da fraqueza registrada no trimestre anterior. Mesmo excluindo o ganho não recorrente de R$ 64 milhões com venda de terras, o resultado ficou em linha com as estimativas mais otimistas do mercado.
As units da companhia (KLBN11) sobem perto de 2% no pregão de hoje.
Boa parte da recuperação sequencial, de 18% na comparação trimestral, veio da ausência de parada de manutenção no período, pois o 1T26 havia sido penalizado pela parada de Monte Alegre. Na comparação anual, o EBITDA ainda cai 4%, puxado pelo câmbio mais apreciado, que pressiona a receita em reais mesmo com o preço de celulose subindo em dólar.
Na celulose, o EBITDA caiu 19% no ano, para R$ 704 mi, cerca de US$ 360 por tonelada vendida. A queda veio do custo caixa de produção, que subiu 8%, para
R$ 1.397/t, pressionado por fibra e combustível, e do volume vendido, 2% menor, um sinal de que a companhia priorizou repor estoque em vez de vender mais. Do lado positivo, o preço já se recupera: no trimestre, subiu 11% em dólar, para US$ 742/t, puxado pela fibra curta, que avançou 11%, enquanto a fluff subiu menos (7%), mas ganhou peso no mix.
Do lado de papéis e embalagens, o trimestre foi mais tranquilo: o EBITDA ficou acima de R$ 1,2 bilhão (+6% a/a), puxada pela recuperação do papel-cartão no mercado doméstico e por reajustes de preço bem capturados em papelão ondulado. Este é o segmento que segue segurando o resultado consolidado, enquanto a celulose passa por um momento mais fraco de ciclo.
Do lado de custos, o destaque foi o controle: o custo caixa total caiu 4% no trimestre, para R$ 3.204/t, mas isso veio quase tudo da ausência da parada de Monte Alegre, que pesou no 1T26. Excluindo esse efeito, o custo por tonelada ficou praticamente estável no trimestre e no ano, mesmo com a pressão de insumos dos conflitos geopolíticos, dentro do guidance. Acreditamos que o controle de custos é o fator que explica a performance positiva da Klabin no dia de hoje.
O ponto que nos preocupa segue sendo o mesmo do trimestre passado: a geração de caixa. O Fluxo de Caixa Livre, que já desconta R$ 278 mi em dividendos e R$ 142 mi a sócios de SPEs e SPCs, ficou negativo em R$ 236 mi — pressionado por juros sazonais, Capex e estoque para a parada de Otacílio Costa. Excluindo pagamentos a acionistas, o caixa ficou positivo, mas modesto — mostrando a dificuldade da companhia para acelerar a conversão do EBTIDA em Caixa.
A alavancagem em dólar caiu de 3,3x para 3,2x Dívida Líquida/EBITDA, mas o ROIC, medido em doze meses, recuou de 9,5% para 9,0%. O resultado foi puxado por maior Capex de manutenção, sinal de que a desalavancagem acelerada segue não se confirmando.
Seguimos vendo a Klabin como uma companhia de qualidade, com portfólio mais diversificado que seus pares. No entanto, o cenário de celulose ainda pressionado — com sinais de nova queda de preço já em agosto — e o ritmo lento de geração de caixa nos deixam sem gatilho de curto prazo para mudar de postura.
A tese de desalavancagem continua válida no médio prazo. Porém, como já vínhamos dizendo, deve seguir mais devagar do que o mercado gostaria.
| Preço-alvo (Consenso Bloomberg) | 22,46 |
| Preço Atual | 18,65 |
| Upside (Consenso Bloomberg) | 20% |
| Capitalização de Mercado (R$ bi) | 23,4 |
| Ações Emitidas (mi) | 1.213 |
| Free Float | 60,00% |
| Semana | +3,32% |
| Mês | +9,82% |
| Ano | -2,25% |
Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.