Monte Bravo Analisa — Resultado Iguatemi 2T26

05/08/2026 • 2 mins de leitura

O Iguatemi divulgou na noite desta terça-feira (04) seus resultados referentes ao 2º trimestre de 2026.

Os números da companhia ficaram acima do consenso de mercado na linha de resultado, mas de qualidade inferior ao que gostaríamos de ver. A operação de shoppings desacelerou mais do que o esperado, ficando atrás do par direto Multiplan no trimestre, com os números da iRetail fazendo a diferença para nossas expectativas.

Esperamos uma reação neutra a levemente negativa para as ações da Iguatemi (IGTI11) no pregão desta quarta-feira (05).

Os números operacionais reportados pela companhia foram mistos: (i) vendas mesmas lojas cresceram apenas 1,7% a/a, bem abaixo dos 4,3% da Multiplan e afetadas pelo descasamento da Páscoa e pela Copa do Mundo; (ii) aluguéis mesmas lojas avançaram 2,7% a/a, também abaixo dos 4,1% da Multiplan; (iii) custo de ocupação subiu para 10,8% das vendas, ainda em patamar saudável frente à média histórica de segundos trimestres; (iv) taxa de ocupação atingiu 96,9%, alta de 0,5 p.p. a/a e acima dos 96,2% da Multiplan; e (v) inadimplência líquida seguiu baixa, em 0,1%.

Na parte financeira, o FFO ajustado recorrente cresceu por volta de 20% a/a, em linha com o que esperávamos — com destaque também para o segmento de varejo (i-Retail/365), cujo EBITDA mais que triplicou na comparação anual.

Vale explicar por que olhamos o FFO com tanto cuidado neste tipo de comparação. FFO (Funds From Operations) é a métrica que o mercado de shoppings usa no lugar do lucro líquido contábil, porque o lucro carrega dois ruídos: (i) a depreciação, que penaliza um ativo que na prática tende a se valorizar; e (ii) ganhos ou perdas não recorrentes com venda de participações, comuns num setor que vive de reciclagem de portfólio. O FFO soma de volta a depreciação e busca isolar o efeito de venda de ativos, chegando mais perto da geração de caixa recorrente da operação.

Este trimestre é um bom exemplo do porquê esse cuidado importa: tanto o 2T25 (via Market Place e Galleria) quanto o 1T26 (via venda de participações minoritárias) tiveram ganhos relevantes com venda de ativos dentro que tornariam a comparação com LL pouco comparáveis.

Os números reforçam nossa tese de que  a companhia a continuará revisando seus alugueis para cima nos próximos trimestres, pois: (i) vacância baixa; (ii) custo de ocupação baixo; e (iii) vendas crescendo.

Os resultados nos deixam bastante confortáveis com a tese em Iguatemi. Isto ocorre pois: (i) enxergamos a companhia negociando em múltiplos que julgamos interessantes; (ii) a reciclagem do portfólio tem sido bem feita; (iii) gostamos das novas aquisições e projetos de expansão; e (iv) há opcionalidades de desenvolvimento comercial e/ou expansão em ativos maduros.

Iguatemi (IGTI11) — Compra

Preço Alvo38,00
Preço Atual25,57
Upside49%
Capitalização de Mercado (R$ bi)7,6
Ações Emitidas (mi)297
Free Float71,30%

Performance

Semana+1,07%
Mês+1,43%
Ano+1,03%

Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.

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