Monte Bravo Analisa — Resultado Embraer 2T26

10/08/2026 • 5 mins de leitura

A Embraer divulgou hoje (10) pela manhã, antes da abertura do pregão, o resultado do 2º trimestre de 2026.

O trimestre da companhia foi forte em praticamente todas as linhas: receita recorde para um 2T, backlog em máxima histórica pelo sétimo trimestre consecutivo, geração de caixa livre de US$ 401 milhões e guidance de margem e de caixa revisados para cima.

A leitura que fazemos é positiva em duas frentes: parte relevante da expansão de margem é de fato não recorrente, e isso precisa ficar claro. No entanto, mesmo depurando, esse efeito a margem do 2T26 veio acima do que projetávamos.

A receita líquida somou US$ 2,235 bilhões no 2T26 (+23% ante o 2T25 e recorde da Embraer para um 2T). O EBIT ajustado foi de US$ 296,9 milhões, com margem de 13,3% (vs.10,5% no 2T25).

Esse número precisa ser depurado, e a própria Companhia faz o exercício: o trimestre carrega um crédito fiscal extraordinário de US$ 68 mi, equivalentes a cerca de 3 pontos percentuais de margem, e, no sentido contrário, US$ 8 mi de tarifas de importação americanas (0,35 p.p.). Excluindo os dois efeitos, a margem EBIT ajustada teria sido de 10,6%.

E é justamente aqui que está a boa notícia do trimestre. Nossa projeção para a margem EBIT de 2026 era de 9,0%, alinhada ao ponto médio do guidance anterior de 8,7% a 9,3%. Uma margem recorrente de 10,6% no trimestre significa que, mesmo tirando o crédito fiscal da conta, a companhia rodou aproximadamente 1,60 p.p. acima do que tínhamos no modelo. Vale ainda a distinção entre os dois efeitos: o crédito fiscal é não recorrente por definição, mas a isenção das tarifas americanas é um alívio de custo de natureza recorrente — e não um ganho de uma vez só. Ou seja, o único item que precisa ser expurgado da base de projeção de longo prazo são os 30 p.p. do crédito fiscal.

Foram 65 aeronaves entregues no trimestre (+7% ante as 61 do 2T25), melhor desempenho da Embraer para um 2T em 16 anos. A abertura mostra 20 aeronaves comerciais (10 da família E2 e 10 da primeira geração) e 45 jatos executivos (24 leves e 21 médios).

Defesa não registrou entregas no período, contra 4 aeronaves (todas A-29 Super Tucano) no 2T25 e 5 no 1T26 (1 KC-390 e 4 A-29), o que vale explicar para quem acompanha o número de entregas como proxy de receita: o segmento reconhece receita por percentual de execução, conforme o avanço da fabricação, e não pela data de entrega, de modo que um trimestre sem entregas não significa um trimestre sem receita de Defesa.

No acumulado do semestre são 109 aeronaves, contra 91 no 1S25 (+20). Isso representa aproximadamente 44% do ponto médio do guidance anual, que a Embraer manteve inalterado em 80 a 85 aeronaves comerciais e 160 a 170 executivas — percentual em linha com o padrão histórico de concentração no segundo semestre.

O backlog firme fechou o trimestre em US$ 34,5 bi, máxima histórica e alta de mais de e uma alta de 16% frente ao 2T25 — o sétimo recorde trimestral consecutivo. É um número que cobre mais de quatro vezes a receita que projetamos para 2026 e segue sendo, na nossa visão, o principal ativo da tese.

Outro fator é ainda mais relevante ainda para quem olha para frente: o Farnborough Airshow, realizado em julho (portanto, já no 3T26), rendeu 30 aeronaves em pedidos firmes que ainda não estão nesse número. O destaque foi o Grupo Abra, controlador de Gol e Avianca, com 20 E195-E2 firmes, mais 10 opções e 15 direitos de aquisição, em um movimento estratégico relevante por representar a entrada da Gol na família E2 após mais de duas décadas de frota exclusivamente Boeing. Somam-se ainda 5 E195-E2 da Binter, 3 E190-E2 da Luxair e 2 E175 da Fuji Dream Airlines. No lado de Defesa, a Colômbia se tornou o décimo terceiro país a selecionar o KC-390 durante a feira.

Com esses pedidos entrando na conta do 3T26, somados às campanhas de KC-390 em andamento, trabalhamos com a expectativa de mais um recorde de backlog no 3T26. É um ponto que reforça a visibilidade da tese e que, na nossa leitura, o mercado ainda não precifica adequadamente.

O fluxo de caixa livre ajustado sem Eve foi de US$ 401 mi no trimestre, um número forte que levou a companhia a dobrar o guidance anual, de US$ 200 mi ou mais para US$ 400 mi ou mais. A Embraer atribui o resultado ao melhor desempenho operacional, entrada relevante de pré-pagamentos ligados a vendas e ao mesmo crédito fiscal que ajudou a margem.

Cabe uma observação de calendário. O 1T26 consumiu US$ 350 bi de caixa livre ajustado sem Eve, resultado da montagem de estoque em preparação para o volume de entregas dos trimestres seguintes. Somando os dois trimestres, o primeiro semestre fica praticamente no zero a zero, ainda ligeiramente negativo. Isso significa que o piso de US$ 400 mi no ano depende integralmente do segundo semestre. Não vemos isso como improvável, dado que a sazonalidade da Companhia é claramente concentrada no 2S, que o estoque montado no 1T já está posicionado para virar entrega e que o 4T25 sozinho gerou R$4,0 bi. No entanto, é um número que exige execução.

A companhia elevou o guidance de margem EBIT ajustada de 8,7%-9,3% para 10,0%-10,6% e manteve inalterados os intervalos de receita (US$ 8,2 bi a US$8,5 bi) e de entregas. O aumento de aproximadamente
US$ 110 mi no ponto médio do EBIT implícito (+1,30 p.p.) foi aberto pela própria Embraer da seguinte forma:
US$ 68 mi (0,50 p.p.) do crédito fiscal extraordinário, US$ 38 mi (0,45 p.p.) da isenção de tarifas de importação americanas e US$ 4 mi (5 p.p.) de melhora da perspectiva de negócios. A Embraer segue sujeita a cerca de
US$ 12 milhões (0,15 p.p.) anuais de tarifas indiretas.

Fazendo a separação corretamente, 0,80 p.p. do aumento são não recorrentes e os outros 0,50 p.p. são de natureza permanente, já que a isenção tarifária reduz estrutura de custo e não é um ganho pontual. Excluindo apenas o crédito fiscal, a margem recorrente implícita no novo guidance fica em torno de 9,5% para o ano, ainda acima dos 9,0% que tínhamos no modelo. Estamos revisando a margem recorrente das nossas projeções para refletir isso.

Mantemos a recomendação de compra para os papéis da Embraer (EMBJ3). Optamos por não elevar o preço-alvo neste momento — mesmo com a margem recorrente vindo acima da nossa projeção — por uma razão de prudência: preferimos ver o 3T26 confirmar o novo patamar de margem sem os efeitos não recorrentes antes de incorporar uma revisão estrutural às estimativas.

Registramos, porém, que o viés das nossas estimativas passou a ser de alta, e não mais neutro, com três vetores empurrando nessa direção: (i) a margem recorrente rodando acima do modelo; (ii) o mix de preço melhor em Defesa a partir do contrato dos Emirados; e (iii) o backlog caminhando para novo recorde no 3T26.

Seguimos monitorando três pontos como principais riscos: (i) a sustentação do novo patamar de margem no 3T26 e no 4T26, sem a ajuda do crédito fiscal; (ii) a execução da cadeia de suprimentos no segundo semestre, que precisa entregar tanto o volume de aeronaves quanto a conversão em caixa para validar o guidance revisado; e (iii) o regime tarifário americano, que hoje trabalha a favor da tese, mas que já se mostrou volátil o suficiente para merecer acompanhamento.

Embraer (EMBJ3) — Compra

Preço Alvo123,25
Preço Atual97,64
Upside26%
Capitalização de Mercado (R$ bi)72
Ações Emitidas (mi)179
Free Float94%

Performance

Semana+7,19%
Mês+15,50%
Ano+10,31%

Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.

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