Análise de Empresas
17/07/2024 • < 1 minuto de leitura
Análise de Empresas — Relatório de Produção Vale 2T24
A Vale divulgou na noite de terça-feira (16) sua prévia…
O Grupo Casas Bahia (BHIA3) encerrou 2025 dando continuidade ao seu processo de transformação operacional e financeira, com foco em melhora da rentabilidade e fortalecimento da estrutura de capital.
Em 2025, o Volume Bruto de Mercadoria (GMV) consolidado atingiu R$ 44,7 bilhões — um crescimento de 8,8% em relação a 2024. O resultado veio através de um desempenho positivo tanto nas lojas físicas (+6,5%) quanto no e-commerce core (+12,1%). Dentro do digital, o segmento 1P online cresceu 9,5%, enquanto o marketplace avançou 16,1%, evidenciando o fortalecimento do ecossistema digital da companhia.
A companhia manteve ampla presença física, encerrando o ano com 1.042 lojas, após a abertura de quatro unidades e o fechamento de 26 — refletindo os ajustes no portfólio e busca por maior eficiência da rede. O estoque totalizou R$ 5,0 bilhões, com giro relativamente estável (90 dias).
A empresa também investiu R$ 331 milhões em CAPEX. O destaque ficou para tecnologia (R$ 212 milhões) e reformas de lojas, reforçando a digitalização e modernização das operações.
A proposta de valor da empresa segue apoiada no modelo omnichannel, com capilaridade das lojas físicas em conjunto com a expansão do digital, oferta ampla de bens duráveis e integração com serviços financeiros — especialmente o crediário próprio, que funciona como ferramenta de fidelização e diferenciação competitiva.
Em termos de receita, a companhia registrou uma bruta consolidada de R$ 34,8 bilhões em 2025, um crescimento de 7,4% em relação a 2024. A receita líquida alcançou R$ 29,2 bilhões, impulsionada pela venda de mercadorias, que avançou 7,1%, enquanto a receita de serviços (taxa do marketplace) cresceu 11,1% e a de soluções financeiras 4,9%.
Os serviços financeiros (banQi) continuam sendo parte importante do modelo de negócio: a penetração dessas soluções representou 18,2% da receita líquida, com destaque para o Carnê Digital, responsável por 16,8% da receita bruta consolidada, reforçando seu papel como instrumento de acesso ao consumo e fidelização de clientes.
No nível de rentabilidade operacional, o EBITDA ajustado atingiu R$ 2,6 bilhões em 2025, com margem de 8,8%. O EBIT somou R$ 1,3 bilhão, com margem de 4,6%. A margem bruta ficou em 30,5%, praticamente estável em relação ao ano anterior (queda de 0,3 ponto percentual). Além disso, as despesas com vendas, gerais e administrativas recuaram 0,7% no ano, mesmo com crescimento da receita e inflação no período, representando 22,7% da receita líquida — o que indica ganhos de produtividade e controle de despesas.
Apesar da melhora operacional, o resultado permaneceu pressionado. O resultado financeiro negativo de R$ 3,7 bilhões — impactado principalmente por um custo de dívida maior devido ao CDI médio mais alto (14,32% em 2025 vs. 10,84% em 2024) — levou a um prejuízo antes dos impostos de R$ 2,34 bilhões.
No consolidado do ano, o prejuízo líquido foi de R$ 2,99 bilhões, com margem líquida negativa de 10,2%, também influenciado por uma revisão da recuperabilidade de ativos fiscais diferidos (IR/CSLL) no valor de R$ 1,45 bilhão. A companhia destaca que esse impacto não possui efeito caixa e não altera a tese operacional do negócio.
Em termos de estrutura de capital, um dos principais avanços do período foi o processo de reestruturação financeira, através da conversão de debêntures em ações no valor de R$ 1,65 bilhão e renegociação de dívidas, que contribuíram para reduzir significativamente o endividamento. A dívida líquida foi reduzida em R$ 3,4 bilhões ante o trimestre anterior, levando o indicador dívida líquida/EBITDA ajustado para 0,4x, contra 1,9x anteriormente, o que representa melhora relevante no perfil de alavancagem.
Através da banQi, banco digital do Grupo, a companhia passou a captar recursos através de FIDC’s (Crediário, Risco Sacado, etc), com o objetivo de diversificar as fontes de financiamento e reduzir o custo de captação. A companhia também anunciou a emissão de uma nota comercial no valor de R$ 1,4 bilhão com vencimento em 2 anos com para reduzir o saldo do risco sacado (fornecedor convênio).
Além disso, o processo de conversão de debêntures em ações elevou a participação da Mapa Capital, acionista majoritária da companhia. O movimento também reforçou a governança corporativa, com ampliação do conselho de administração e novos membros em comitês estratégicos indicados pela Mapa Capital.
Texto por Gabriela Shimamoto, Assistente de Análise da Monte Bravo. Analista responsável: Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.