Análise de Empresas
17/07/2024 • < 1 minuto de leitura
Análise de Empresas — Relatório de Produção Vale 2T24
A Vale divulgou na noite de terça-feira (16) sua prévia…
O BTG divulgou hoje (11) pela manhã seus resultados do 2º trimestre de 2026.
Os números ficaram acima do que nós e o mercado esperávamos, com lucro líquido ajustado de R$ 5,1 bilhões — cerca de 5% acima do consenso — e um ROE de 26,7%.
Mesmo com a surpresa positiva, as ações da companhia (BPAC11) caem mais de 5% no pregão, e entendemos perfeitamente o motivo. O ponto não é o tamanho do resultado, mas sim de onde ele veio.
A franquia de Consumer Finance & Banking entregou receita 30% acima do que o mercado projetava. Todas as outras linhas somadas ficaram abaixo do consenso. Sem Consumer, a receita do banco teria caído no trimestre.
A vertical de crédito corporativo seguiu bem e entregou receita recorde de R$ 2,5 bi, crescimento de 7% ante o 1T26, com spreads saudáveis em 3,5%. Chamou atenção a Carteira de Pequenas e Médias Empresas, que encolheu 19% em um único trimestre sem explicação satisfatória da administração.
A vertical de Banco de Investimentos veio fraca, como havíamos antecipado no trimestre passado. As receitas caíram 33% t/t, para R$ 421 milhões, com apenas 24 operações de DCM (vs. 36 no 1T26). A explicação da administração na call foi a mais relevante do dia: o banco está confortável em abrir mão de participação de mercado quando não considera o preço adequado ao risco, e segue subscrevendo para o pior cenário num ambiente macro desafiador.
É uma postura correta e defensável, mas tem consequência. A recuperação da linha deixa de depender de uma virada de ciclo e passa a depender de o preço voltar — o que ninguém sabe quando irá acontecer.
A vertical de Gestão de Fortunas e Asset Managment decepcionou nas duas pontas. A captação líquida somou R$ 59 bi, o menor patamar em cinco trimestres e o mesmo número do 2T25. O ROA de Gestão de Fortunas recuou para 45 pontos base, o menor da série divulgada, e o de Asset caiu para 23,7. Os ativos continuam entrando, mas em produtos de taxa mais baixa.
Sobre Consumer Finance & Banking: a carteira cresceu 6% na comparação trimestral, enquanto a receita de crédito cresceu 46%. Um quarto dessa receita não é explicado por volume e a call do BTG ajudou a entender de onde vem. A administração informou que o trimestre incorporou seis meses de receita do MeuTudo e que, daqui para frente, o reconhecimento passa a ser trimestral. Ou seja, há um trimestre inteiro embutido na base que não se repete.
A melhora em veículos foi atribuída a uma revisão de regras da Resolução 4.966 feita no Banco Pan no 1T26, que gerou impacto não recorrente em provisões naquele trimestre. Como a receita dessa linha é reportada já líquida de provisão, movimentos de provisionamento entram direto como receita e o investidor não consegue separá-los.
O BTG Pactual continua entregando um ROE acima dos 26%, um número que mostra a capacidade do banco em gerar resultado para seus acionistas. Limpando os itens de menor visibilidade do trimestre, porém, esse retorno ficaria mais próximo de 24,5%.
Continuamos gostando da tese, mas entendemos que os preços atuais trazem pouco upside. A tese depende de fatores macro para: (i) possibilitar uma expansão maior de seus múltiplos; e (ii) expandir receitas em áreas importantes (ECM, Asset Management, Trading).
Seguimos com recomendação neutra para os papéis do BTG, acompanhando de perto o Estágio 3 e a sustentabilidade das receitas de Consumer.
| Preço Alvo | 58,00 |
| Preço Atual | 50,19 |
| Upside | 16% |
| Capitalização de Mercado (R$ bi) | 200 |
| Ações Emitidas (mi) | 1.143 |
| Free Float | 26,2% |
| Semana | -12,02% |
| Mês | -12,74% |
| Ano | -3,83% |
Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.