Análise de Empresas
17/07/2024 • < 1 minuto de leitura
Análise de Empresas — Relatório de Produção Vale 2T24
A Vale divulgou na noite de terça-feira (16) sua prévia…
O Banco do Brasil divulgou quarta-feira (12) pela noite seus resultados do 2º trimestre de 2026.
Diferente dos últimos trimestres, os números reportados vieram melhores que o esperado, acima das nossas estimativas e do consenso. O Lucro Líquido Ajustado atingiu R$ 3,9 bilhões, alta de 13,9% na comparação trimestral e de 3,3% na anual.
No entanto, o qualitativo seguiu misto, e na verdade, mais misto do que o headline deixa transparecer. A boa performance nas Margens Financeiras e no Controle de Despesas contrastaram com uma Carteira de Crédito que voltou a piorar, agora puxada pelo varejo, e com um beat que se apoiou majoritariamente em linhas de baixa qualidade, como uma Alíquota Efetiva de Imposto novamente favorável ao resultado.
Vale abrir com calma a dinâmica do Custo do Crédito, porque o número cheio engana. Ele caiu 2,1% na comparação trimestral, de R$ 18,9 bi para R$ 18,5 bi, o que passaria a impressão de alívio em uma leitura apressada, mas a composição conta outra história. O Custo do Crédito é formado por três peças: a despesa bruta de perda esperada, as recuperações de créditos já baixados como prejuízo e os descontos concedidos em renegociação.
A peça que de fato mede a piora da carteira, a despesa bruta de perda esperada, não caiu, e sim subiu 13,5% no trimestre (de R$ 16,6 bi para R$ 18,8 bi). O que derrubou o número cheio foram as outras duas linhas: os descontos concedidos recuaram de R$ 3,5 bi para R$ 1,5 bi, uma vez que o 1T26 havia concentrado um volume atípico de descontos ligado às renegociações da MP 1.314 que não se repetiu neste trimestre e as recuperações de crédito subiram de R$ 1,2 bi para R$ 1,9 bi.
Na ponta do lápis, o aumento de cerca de R$ 2,2 bi na provisão bruta foi mais do que compensado pela melhora de aproximadamente R$ 2,0 bi em descontos e R$ 0,6 bi em recuperações, e é essa aritmética — e não uma melhora efetiva de risco — que explica a queda de R$ 0,4 bi na linha. Não à toa, no mesmo trimestre em que o Custo do Crédito recuou, a inadimplência subiu, a cobertura caiu e as provisões passaram a correr abaixo da formação de inadimplência — o oposto do que veríamos numa melhora genuína.
Além disso, e olhando a composição, outras linhas de baixa qualidade ajudaram o resultado: uma linha de imposto positiva de R$ 258 mi, decorrente do pagamento de JCP sobre uma base de lucro pequena, além de menores provisões cíveis e um maior resultado de participações. Ou seja, boa parte do beat vem de itens que não são estruturais. O ROE Ajustado avançou para 8,3%, mas segue bem abaixo do Custo de Capital e no lucro contábil, que consideramos a leitura mais honesta, o número foi de R$ 3,2 bi, com ROE de 6,8%. No acumulado do semestre, o lucro de R$ 7,3 bi ainda cai 34% na comparação anual.
Na parte de Receitas de Prestação de Serviços o Banco continua apresentando resultados fracos e bem abaixo de seus principais concorrentes.
Nas Margens Financeiras, a Margem Financeira Bruta atingiu R$ 27,5 bi (+9,6% a/a; praticamente estável t/t). O desempenho foi puxado pela margem com o mercado, com bom resultado de tesouraria e destaque novamente para o Banco da Patagonia, cuja margem saltou 22,4% no trimestre. A margem com clientes também ajudou, com avanço de 2,2% no trimestre e o spread de clientes subindo para 8,36%. Rodando a 12,1% no ano, a linha está inclusive acima do teto do próprio guidance de 7% a 11%. O problema é que a margem que interessa, aquela líquida do risco, não cresce: o spread com clientes ajustado ao risco se recuperou para 1,73% ante o fundo de 1,42% do 1T26, mas ainda está bem abaixo dos 2,26% registrados no 2T25. Em outras palavras: a margem cheia cresce, mas o custo do crédito continua consumindo quase tudo.
O Controle de Despesas segue sendo o ponto mais limpo do resultado. As Despesas Administrativas totalizaram
R$ 10,1 bi, com alta de apenas 0,6% no trimestre e de 4,8% no semestre — abaixo tanto do reajuste salarial de 5,7% do acordo coletivo quanto do piso do guidance de 5% a 9%. O índice de eficiência ficou em 27,7% no trimestre e 28,0% em 12 meses, patamar que segue muito bom em termos absolutos. Reforçamos, no entanto, que o que aperta a eficiência não é a despesa, e sim a receita líquida de risco: o gargalo do Banco hoje é provisão, não estrutura de custo.
E é justamente na qualidade de crédito que mora o ponto central do trimestre, que confirma o alerta que fizemos no 1T26. A inadimplência acima de 90 dias subiu 0,56 p.p. no trimestre para 5,61% — exatamente a aceleração que antecipávamos — e o índice de cobertura caiu de novo, para 148,5%, (vs. 158,4% no 1T26 e 183,2% no 2T25), deixando um colchão de provisões cada vez mais fino. Mais importante, a deterioração trocou de endereço e migrou do agro para o varejo: a inadimplência de Pessoa Física disparou 1,59 p.p. no trimestre para 8,41%, com o cartão de crédito dobrando para 14,58% (vs. 7,12%), a cobertura do segmento recuando para 125,8% e a formação de inadimplência mais que dobrando na linha. É a piora em Pessoa Física que vínhamos sinalizando se materializando de forma concreta.
No agro, a leitura pede o mesmo cuidado que pedíamos no trimestre passado. A inadimplência de 90 dias até estabilizou em 6,27% e a formação nova recuou, mas os indicadores antecedentes pioraram exatamente na linha do que alertamos sobre a concentração de vencimentos: o atraso de 30 dias do agro saltou para 9,0% (vs. 7,4%), o pagamento em dia caiu para 74% em julho (vs. 87% em janeiro e cerca de 95% prometidos no Investor Day) e a carteira renegociada sob a MP 1.314 — de R$ 39,3 bi e com perda esperada de 10,9% — apenas empurra o prazo de resolução para frente. Não extrapolaríamos, portanto, a estabilização do agro como cura. Vale ainda notar que as provisões voltaram a correr abaixo da formação de inadimplência (86,9% vs. 107,8% no 1T26), o que é mais um sinal da baixa qualidade por trás do beat.
No fim das contas, negociando a 0,63x Valor Patrimonial (vs. 0,8x quando começamos a acompanhar a tese) e a cerca de 6x lucro para 2026, com ROE ainda abaixo do Custo de Capital, o Banco do Brasil é inegavelmente barato — e é isso que continua limitando o downside e nos impede de assumir uma postura abertamente negativa.
Por outro lado, o resultado não entrega o ponto claro de inflexão que justificaria uma reprecificação e a deterioração do balanço somada à provável revisão de guidance são os riscos de curto prazo. Como já destacamos, o banco deve seguir muito volátil ao longo do período eleitoral e, em nossa opinião, é um dos principais trades caso a oposição saia vencedora em outubro.
Mantemos nossa recomendação neutra para as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e preço-alvo de R$ 22,50, com nossa estimativa de lucro situada na ponta baixa do guidance e viés de revisão para baixo caso o custo de crédito não dê sinais mais claros de inflexão.
| Preço Alvo | 22,50 |
| Preço Atual | 19,00 |
| Upside | 18% |
| Capitalização de Mercado (R$ bi) | 109 |
| Ações Emitidas (mi) | 5.730 |
| Free Float | 30,2% |
| Semana | -9,52% |
| Mês | -6,13% |
| Ano | -12,36% |
Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.