Monte Bravo Analisa — Resultado Azzas 2154 1T26

08/05/2026 • 3 mins de leitura

O resultado do 1º trimestre 2026 da Azzas 2154 foi abaixo do ano anterior, penalizado pela desaceleração dos canais de sell-in — um reflexo da estratégia de reequilibrar a relação sell-in/sell-out da rede franqueada.

A companhia fez melhorias na gestão de capital de giro, que incrementou a geração de caixa. A unidade Basic (Hering) permanece em processo de turnaround, pressionando margens e volume de receita, enquanto a marca Vans segue como vetor de incerteza dentro de Shoes & Bags.

A companhia fez emissão de R$ 500 milhões em debêntures, que serão destinados ao alongamento do perfil de dívida. A parcela de longo prazo da dívida bruta saltou de 41,2% no 1T25 para 82,7% no 1T26, reduzindo o risco de refinanciamento de curto prazo. A companhia também anunciou a nomeação de um novo diretor para a Vans para reestruturação da marca.

A receita bruta de marcas continuadas totalizou R$ 3,1 bilhões, recuo de 4,4% na comparação anual. Os canais de sell-out apresentaram retração de 1,5%, encerrando em R$ 1,6 bilhão, enquanto os canais de sell-in recuaram 10,9%, para R$ 1,1 bi, por conta da priorização do reequilíbrio da relação sell-in/sell-out da rede e pelo impacto de não antecipação da coleção de inverno.

No segmento de Shoes & Bags, a marca Arezzo foi o destaque de sell-out, com crescimento de 10% no canal, puxado por lojas próprias (+15,6%), beneficiada pelo sucesso de coleção e pela campanha com Sarah Jessica Parker. A taxa de vendas a preço cheio avançou 5 p.p. a/a. A Schutz cresceu 5% tanto em lojas próprias quanto no SSS de franquias. A Vans teve queda concentrada no canal multimarcas (-42,9%), à medida que a companhia trabalha na recomposição da carteira de clientes.

No braço de Fashion Women, a receita cresceu 4,5% a/a, sobre uma base de +27,1% no 1T25, impulsionada pela Farm Rio no Brasil (+46,7%). O e-commerce avançou 15,6% e a operação internacional cresceu 16,6% (+21,1% em dólares).

Em Fashion Men, a receita de marcas continuadas recuou 3,2% a/a., explicado pela redução de 1,3% em sell-out impactado pela menor participação do e-commerce
(-8,0%) devido à redução de promoções — e redução de 9,2% em sell-in, com a estratégia de gestão de estoques das lojas.

Em Basic, a receita caiu 18,5% a/a, também por conta da estratégia de normalização dos níveis de cobertura de estoques da rede.

A margem bruta consolidada encerrou em 54,5%, estável na comparação anual (-0,3 p.p.), o que é positivo dada a queda de receita. A margem bruta da unidade Basic avançou 0,2 p.p., para 37,7%, beneficiada por melhor venda a preço cheio.

No EBITDA, a margem recorrente contraiu 2,7 p.p. a/a, para 13,2%. As despesas recorrentes caíram 2,8% (ex-D&A): as despesas fixas ficaram praticamente estáveis (-0,6% a/a). Enquanto isso, as despesas variáveis recuaram 4,5% e as despesas eventuais caíram 2,2% — refletindo diligência de gastos com pessoal, fretes & comissões e viagens e locomoção.

O lucro líquido foi de R$ 63,9 mi, recuo de 45,7% a/a, com margem de 2,6% (-1,8 p.p.). O resultado foi impactado pelo resultado financeiro com alta de 17,1%, chegando a -R$ 184,6 mi (vs. -R$ 157,7 mi no 1T25).

Os principais vetores de piora foram: (i) variação cambial negativa, decorrente de contratos de hedge operacional firmados a taxas de câmbio mais elevadas do que a taxa vigente no período; e (ii) aumento nas despesas de juros sobre financiamentos (+19,9% a/a, para R$ 100,0 mi), reflexo do ciclo de alta da Selic. As receitas financeiras parcialmente compensaram, avançando 84,7% a/a para R$ 44,7 mi, beneficiadas pelo maior caixa médio e pelos juros de referência mais elevados.

A geração de caixa operacional de R$ 147,8 mi no 1T26, frente a um consumo de
R$ 50,3 milhões no 1T25. Esta linha sinaliza que a gestão do capital de giro está melhorando.

Na visão pós-Capex, a geração foi de R$ 86,2 mi. Houve redução de 20 dias no ciclo financeiro, de 123 dias no 1T25 para 103 no 1T26), puxada especialmente pela queda de 15 dias nos dias de estoque. Esta tendência reflete os esforços de desestocagem em curso.

Os dias de fornecedores avançaram 4 dias, contribuindo adicionalmente para a liberação de caixa. O Capex teve redução de 27,0% a/a, com foco da alocação em projetos de maior retorno — tecnologia corporativa, reformas seletivas de lojas Arezzo, Reserva, FARM Rio e Animale.

Em termos de alavancagem, a dívida líquida foi de R$ 2,2 bilhões, com índice Dívida Líquida/EBITDA recorrente LTM (pré-IFRS 16) em 1,40x (ante 1,28x no 4T25). O perfil de dívida, com 82,7% concentrado no longo prazo após as rolagens realizadas, reduz o risco de refinanciamento no curto prazo.

Azzas 2154 (AZZA3) — Sem cobertura

Consenso Bloomberg32,27
Preço Atual21,74
Upside48%
Capitalização de Mercado (R$ bi)4,39
Ações Emitidas (mi)206,49
Free Float53,1%

Performance

Semana+0,56%
Mês-5,89%
Ano-13,59%

Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.

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