Análise de Empresas
17/07/2024 • < 1 minuto de leitura
Análise de Empresas — Relatório de Produção Vale 2T24
A Vale divulgou na noite de terça-feira (16) sua prévia…
Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.
Iniciamos nossa cobertura em Amazon.com (BDR: AMZO34; NASDAQ: AMZN) com recomendação de compra para os papéis da companhia. A Amazon tem US$ 496 bilhões em contratos de nuvem já assinados, acelerou o crescimento da divisão de 28% para 37% em um trimestre e planeja dobrar a capacidade instalada até o fim de 2027.
Este material percorre as unidades de negócio, como a companhia gera resultado, o posicionamento competitivo contra Google e Microsoft, o histórico da ação e como chegamos ao preço-alvo. Todos os preços usados têm como referência o fechamento de 28 de agosto de 2026.
| Resumo da tese: Amazon.com | ||
|---|---|---|
| Papel | AMZO34 (BDR) | AMZN (NASDAQ) |
| Preço atual | R$ 69,22 | US$ 266,43 |
| Preço-alvo | R$ 82,96 | US$ 319,30 |
| Recomendação | Compra | |
| Upside | +19,8% | |
| Preços de referência consideram o fechamento do dia 21/08/2026. | ||
Iniciamos a cobertura de Amazon.com com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 82,96 no BDR AMZO34 e US$ 319,30 na ação para o fechamento de 2027. Contra os preços de 28 de agosto de 2026, isso representa uma valorização estimada de 19,8%.
A decisão de começar agora tem uma razão específica: o segundo trimestre de 2026 mostrou aceleração, não continuidade. A divisão de nuvem saiu de 28% de crescimento no 1T26 para 37% no 2T26 — o ritmo mais rápido em 18 trimestres. Além disso, a companhia declarou que espera dobrar a capacidade instalada e de energia até o fim de 2027 contra o que tinha em 2025.
O desconforto do mercado com a Amazon hoje é o tamanho do investimento. Serão cerca de US$ 220 bi de Capex em 2026, o maior programa já feito por uma empresa privada, e o fluxo de caixa livre dos últimos 12 meses ficou negativo em US$ 7,6 bi. Achamos que o mercado está descontando esse custo com precisão e a receita que ele gera com atraso.
Este artigo funciona como um um teach-in. O objetivo é que o investidor entenda como a companhia funciona antes de olhar o preço-alvo.
| Cenários projetados (AMZO34) | ||
|---|---|---|
| Cenário pessimista | Cenário otimista | |
| R$ 42,27 (-39,0%) | R$ 111,65 (+61,3%) | |
| Preços de referência consideram o fechamento do dia 21/08/2026. | ||
A Amazon reporta três segmentos. Dois são varejo, separados por geografia, e o terceiro é a nuvem. A leitura que mais importa é que os dois primeiros respondem por 82% da receita e o terceiro (a AWS) por 57% do lucro operacional.
| Segmento | Receita 2025 | Peso na receita | Lucro operacional | Margem |
|---|---|---|---|---|
| North America | US$ 426,3 bi | 59,50% | US$ 29,6 bi | 6,90% |
| International | US$ 161,9 bi | 22,60% | US$ 4,8 bi | 2,90% |
| AWS (nuvem) | US$ 128,7 bi | 18,00% | US$ 45,6 bi | 35,40% |
| Consolidado | US$ 716,9 bi | 100% | US$ 80,0 bi | 11,20% |
North America e International agrupam tudo que não é nuvem, separado por geografia. O primeiro cobre Estados Unidos e Canadá, o segundo cobre o resto do mundo. É quase tudo comércio eletrônico. Lojas físicas, incluindo a Whole Foods, respondem por apenas 3,1% da receita da companhia.
Dentro desses dois segmentos, convivem quatro negócios com economias bem diferentes: (i) a venda de produto próprio, em que a Amazon compra, carrega estoque e revende; (ii) a hospedagem de vendedores terceiros, em que ela não carrega estoque e cobra comissão e serviço de logística, registrando como receita apenas o que cobra e não o valor da venda; (iii) as assinaturas, com o Prime à frente; e (iv) a publicidade vendida dentro do próprio site, que é o mais lucrativo dos quatro e o que menos exige investimento.
A AWS é o negócio de alugar capacidade de computação, armazenamento e software para outras empresas. Ela nasceu em 2006 aproveitando a infraestrutura ociosa da própria Amazon e hoje é a divisão que responde por 57% do valor que atribuímos à companhia. Nos últimos dois anos, deixou de ser nuvem tradicional e virou também fornecedora de infraestrutura para inteligência artificial, com receita de IA já acima de US$ 25 bi em ritmo anualizado.
| Linha de receita | 2025 | a/a | 2T26 | a/a | Peso |
|---|---|---|---|---|---|
| Lojas online, produto próprio | US$ 269,3 bi | 9,00% | US$ 70,4 bi | 14,60% | 37,60% |
| Serviços a vendedores terceiros | US$ 172,2 bi | 10,30% | US$ 46,8 bi | 15,90% | 24,00% |
| AWS, a nuvem | US$ 128,7 bi | 19,70% | US$ 42,2 bi | 36,80% | 18,00% |
| Publicidade | US$ 68,6 bi | 22,10% | US$ 19,8 bi | 26,20% | 9,60% |
| Assinaturas, Prime e outras | US$ 49,6 bi | 11,80% | US$ 13,7 bi | 12,50% | 6,90% |
| Lojas físicas | US$ 22,6 bi | 6,30% | US$ 5,8 bi | 3,60% | 3,10% |
| Outros | US$ 5,9 bi | 9,40% | US$ 1,8 bi | 22,00% | 0,80% |
| Total | US$ 716,9 bi | 12,40% | US$ 200,6 bi | 19,60% | 100% |
Entender a Amazon exige separar os três motores do negócio. Um gera escala e quase nenhuma margem, outro converte essa escala em lucro e o terceiro gera crescimento e retorno sobre capital. É essa divisão que separa quem enxerga a companhia como varejista de quem enxerga como empresa de infraestrutura.
O primeiro é o varejo. Vender produto tem margem baixa em qualquer lugar do mundo. North America entregou 6,9% de margem operacional em 2025 e International entregou 2,9%. O que o varejo faz de fato é criar tráfego, dados e uma rede logística difícil de replicar. Não é o negócio que paga a conta, é o que cria as condições para os outros dois existirem.
O segundo é a publicidade. Quando alguém busca um produto na Amazon, já decidiu comprar. Anunciar nesse momento vale mais do que anunciar para quem apenas navega. Foram US$ 68,6 bi em 2025 (+22,1%) e US$ 19,8 bi só no segundo trimestre de 2026 (+26,2%). A companhia não divulga o lucro dessa linha separadamente, mas ele está dentro dos segmentos de varejo e é a principal razão pela qual a margem de North America saiu de terreno próximo de zero em 2022 para 6,9% em 2025.
O terceiro é a nuvem. A AWS entregou 35,4% de margem em 2025 e 37,9% no 2T26. A companhia constrói data centers, instala servidores e aluga essa capacidade por contratos plurianuais. O investimento vem primeiro e a receita vem depois.
A administração explicou o ciclo na teleconferência do 2T26, e ele tem duas pernas com prazos diferentes. O data center é construído dois anos antes de poder receber servidor. A partir do momento em que abre com servidor instalado, gera receita relevante de imediato e tem uma vida útil acima de 30 anos sem precisar repetir esse investimento inicial. O servidor leva menos de três anos para se pagar e tem vida útil de cinco a seis anos, sendo que a maior parte da capacidade de IA é contratada por prazo mínimo de cinco anos.
Na prática, um mesmo data center comporta cinco a seis gerações de servidor, e cada geração seguinte tem economia melhor porque o investimento pesado já foi feito. A companhia afirma diz esperar dobrar a capacidade instalada e de energia até o fim de 2027 contra 2025 — que a maior parte da capacidade de 2027 já está reservada por clientes — e que há capacidade reservada para 2028.
| Amazon.com: Capex do 2T26 | |
|---|---|
| Item | Valor |
| Caixa gerado pela operação | US$ 45,4 bi |
| Investimento em ativo fixo, líquido de vendas | US$ 53,1 bi |
| Diferença | US$ 7,7 bi |
| Cobertura do investimento pela operação | 85,50% |
O investimento superou o caixa da operação no trimestre, mas por pouco. O caixa gerado subiu 33% em 12 meses e a dívida líquida equivale a menos de um ano dessa geração. A estrutura de capital segue confortável mesmo no pico do ciclo.
O Bedrock é a loja de modelos de inteligência artificial da AWS. Em vez de o cliente contratar cada laboratório separadamente e montar a própria infraestrutura, ele entra pelo Bedrock e escolhe entre modelos de várias origens — incluindo Claude da Anthropic, modelos da OpenAI, modelos abertos e os modelos próprios da Amazon. Tudo pela mesma conta e com a mesma segurança.
Para o cliente, a vantagem é não ficar preso a um fornecedor. Para a Amazon, a vantagem é econômica e vale explicar. A AWS ganha duas vezes na mesma transação: (i) por alugar a infraestrutura onde o modelo roda, que é o negócio de nuvem de sempre; e (ii) por distribuir o modelo de terceiros, uma remuneração de intermediação que não exige capital adicional nenhum.
Essa segunda perna é a que menos aparece nas contas do mercado e é a que mais ajuda a margem. Também é a razão pela qual a AWS é a única das três grandes nuvens que vende, no mesmo produto, modelos das três principais origens do mercado.
A margem da AWS subiu para 37,9% no 2T26, enquanto os concorrentes ficaram estáveis ou caíram. Parte relevante dessa diferença vem do mix, e não de corte de custo. Quanto mais o cliente consome pelo Bedrock em vez de alugar capacidade crua, melhor a margem da divisão.
A Amazon desenha os próprios chips desde 2018 e hoje tem três famílias em uso: (i) Graviton para processamento geral; (ii) Trainium para inteligência artificial; e (iii) Nitro para virtualização e segurança. Vale explicar por que isso importa, pois a resposta não é apenas custo.
Abaixo, listamos os quatro principais motivo que mostram que desenhar o próprio chip é uma vantagem competitiva:
Os números que a companhia divulga sustentam o argumento. A operação de silício saiu de US$ 10 bi em ritmo anualizado no 4T25 para mais de US$ 25 bi no 2T26. Já são mais de US$ 225 bi em compromissos de receita de Trainium, com compromissos plurianuais e de vários gigawatts das duas maiores casas de modelos do mundo.
O CEO da AWS declarou em novembro de 2025 que os chips Trainium já respondem por mais da metade do consumo de tokens do Bedrock. E em 2025 a companhia entregou melhora de quatro vezes na taxa de processamento de tokens do Trainium 2, ganho que se converte direto em mais capacidade para atender cliente sem gastar mais.
Hoje o chip só é usado dentro da AWS. A administração confirmou que estuda vendê-lo diretamente a terceiros, o que seria uma linha de receita inteiramente nova. Esta alternativa não está no nosso preço-alvo.
Existe um receio legítimo no mercado de que os modelos de inteligência artificial virem commodity. Se qualquer laboratório consegue entregar qualidade parecida, o preço do token cai e a vantagem de quem faz modelo encolhe. Esse receio faz sentido para quem vende modelo. Ele não deveria ser transportado direto para quem vende a infraestrutura embaixo.
A razão é conhecida em economia e vale para qualquer insumo cujo uso cresce quando o preço cai. Quando o custo de rodar um modelo despenca, o número de aplicações que passam a fazer sentido econômico explode. Coisas que não se justificavam a US$ 10 por milhão de tokens se justificam a US$ 1. O volume de computação demandado cresce mais rápido do que o preço unitário cai.
A própria Amazon dá evidência disso: em 2025, a companhia entregou melhora de quatro vezes na taxa de processamento de tokens do Trainium 2. Esse ganho de eficiência não virou receita menor. Virou mais capacidade para atender uma demanda que a companhia diz não conseguir suprir nem em 2026 nem em 2027.
A infraestrutura não é imune. Inferência roda em qualquer lugar e é sensível a preço, então a concorrência migra do modelo para o custo por token entregue. O que protege a Amazon não é a categoria, é ser produtora de baixo custo. É exatamente aí que o chip próprio deixa de ser detalhe técnico e vira a defesa da margem.
E há um efeito de sinal contrário: hoje o prêmio de escassez está em treinamento, com preço mais alto e capacidade disputada. Inferência é mais elástica e mais barata. Uma migração forte de treinamento para inferência aumenta volume e pressiona preço ao mesmo tempo. Por enquanto, o volume vem ganhando: a AWS cresceu 37% no trimestre, com a margem subindo.
Chip de ponta começa a vida nas tarefas mais exigentes, o treinamento de modelos de fronteira. Quando chega a geração seguinte, ele não vira sucata: desce para inferência de alto desempenho, depois para processamento em lote e cargas menos sensíveis a latência. Cada degrau exige menos do equipamento e continua gerando receita.
Quanto maior o peso da inferência no mix, mais longo tende a ser esse encadeamento, porque inferência tolera equipamento uma ou duas gerações atrás sem prejuízo relevante para o cliente. E chip desenhado especificamente para inferência, como é o caso do Trainium, tende a envelhecer melhor que chip de propósito geral, porque não disputa a corrida de desempenho de fronteira.
Isso é relevante para a Amazon por um motivo específico: a companhia deprecia servidor em cinco anos, o prazo mais curto entre as três grandes nuvens, e já encurtou esse prazo uma vez em 2025. Na teleconferência do 2T26, a administração afirmou ter histórico de encontrar formas de estender a vida útil desse equipamento sem prejudicar a experiência do cliente.
Listamos como risco a possibilidade de a companhia encurtar de novo a vida útil do servidor, o que derrubaria o lucro reportado sem nada mudar no negócio. O caminho contrário também existe e não está no nosso preço-alvo. Um alongamento de cinco para seis anos reduziria a depreciação anual da nuvem em cerca de um sexto, o que representaria algo próximo de três pontos percentuais de margem sobre a receita projetada da divisão em 2026.
A pergunta que mais recebemos ao defender essa tese é: por que comprar Amazon e não Microsoft ou Alphabet, que também têm nuvem crescendo? Por isso, é importante mostrarmos o quadro completo — inclusive a parte que não nos favorece. Em crescimento percentual, a AWS é a mais lenta dos três grandes. Em dólar adicionado no trimestre, ela lidera. E a comparação de margem não é direta por razões que estão nos próprios documentos dos concorrentes.
| AWS, Google Cloud e Microsoft: O 2T26 dos três grandes | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| Provedor | Crescimento | Receita 3T26 | Dólar adicionado | Lucro operacional | Margem |
| AWS | 37% | US$ 42,2 bi | US$ 11,4 bi | US$ 16,6 bi | 37,90% |
| Google Cloud | 82% | US$ 24,8 bi | US$ 11,1 bi | US$ 8,8 bi | 35,60% |
| Microsoft Azure | 43% | não divulga | não calculável | não divulga | não divulga |
A manchete favorece o Google Cloud. O dólar não. A AWS adicionou US$ 11,4 bi de receita contra o mesmo trimestre do ano anterior, contra US$ 11,1 bi do Google Cloud. Crescer 37% sobre uma base de US$ 169 bi anualizados gera mais receita nova do que 82% sobre uma base de US$ 99 bi. A Microsoft não divulga receita nem lucro do Azure em dólar, apenas o crescimento percentual, então não existe comparação de margem possível com ela.
| AWS, Google Cloud e Microsoft: Por que a comparação direta não é válida? | |
|---|---|
| O que difere | Efeito na comparação |
| O Google Cloud passou a vender hardware. A Alphabet declara no release que a receita de produto do segmento vem principalmente da venda de sistemas TPU a clientes. | Parte do crescimento de 82% é venda de equipamento e não serviço recorrente. O estoque da Alphabet saiu de US$ 2,4 bi em dezembro para US$ 10,0 bi em junho |
| O custo de desenvolver os modelos de IA da Alphabet fica fora do segmento de nuvem, numa linha corporativa que somou US$ 5,8 bi no trimestre contra US$ 3,4 bi um ano antes | A receita dos modelos entra na nuvem e o custo de criá-los não entra. A margem de 35,6% não inclui essa despesa. |
| A AWS deprecia servidor em cinco anos, o prazo mais curto entre os três. | Depreciação maior por ano reduz a margem reportada da AWS na comparação com quem usa prazo mais longo. |
Aqui, vale o destaque para duas leituras que mudam a conversa. A primeira é que a concentração em um grande cliente de inteligência artificial não é exclusividade da Amazon. A Microsoft divulga que a carteira comercial cresce 84% com a OpenAI e 25% sem ela. É característica do setor neste momento, e não uma fragilidade específica da nossa tese.
A segunda é que os três estão queimando caixa para construir. A Alphabet levantou US$ 49,6 bi em ações e US$ 20,3 bi em dívida no trimestre e teve caixa livre negativo em US$ 5,9 bi. A Microsoft investiu cerca de US$ 41 bi, com queda de 23% no caixa livre. A Amazon cobriu 85,5% do investimento com geração própria e não emitiu ações.
| Provedor | Carteira | Prazo médio | Observação |
|---|---|---|---|
| AWS | US$ 496 bi | 6,4 anos | Somente nuvem |
| Google Cloud | US$ 514 bi | não divulgado | Somente nuvem |
| Microsoft | US$ 678 bi | 2,3 anos | Comercial total, não só Azure. Cresce 25% sem a OpenAI e 84% com ela. |
Nosso preço-alvo para a companhia é para o fechamento de 2027 e sai de um fluxo de caixa descontado com 10 anos explícitos, com o valor terminal calculado por dois métodos e combinados meio a meio: perpetuidade e múltiplo de saída sobre o lucro operacional.
Não vamos cansar o leitor com a mecânica. O que importa é de onde vem o valor, quanto cada cenário entrega e o que precisa acontecer para o nosso preço-alvo se confirmar.
| Amazon.com: de onde vem o valor da companhia? | |
|---|---|
| Bloco | Participação no valor |
| AWS, a nuvem | 57,70% |
| Publicidade | 34,70% |
| Varejo North America | 2,80% |
| Varejo International | 2,30% |
| Corporativo e capital de giro | 2,50% |
Nuvem e publicidade respondem por 92,4% do valor que atribuímos à Amazon. O varejo, que gera 82% da receita, responde por 5,1% do valor. Não é um erro de conta, é a consequência de um negócio que consome muito capital para entregar margem de um dígito.
| Os quatro cenários e o preço-alvo | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| Cenário | Crescimento da AWS em 2026 | Margem da AWS | Alvo AMZN | Alvo AMZO34 | Upside* |
| Pessimista | 28,00% | 33,00% | US$ 162,70 | R$ 42,27 | -38,90% |
| Conservador | 34,00% | 36,00% | US$ 260,06 | R$ 67,57 | -2,40% |
| Base (nosso preço-alvo) | 34,40% | 37,20% | US$ 319,30 | R$ 82,96 | 19,80% |
| Otimista | 36,00% | 39,00% | US$ 429,74 | R$ 111,65 | 61,30% |
| *Preços de referência consideram o fechamento do dia 21/08/2026. | |||||
As premissas do cenário base ficam abaixo do que a companhia entregou no 2T26. Ele assume a nuvem crescendo 34,4% em 2026 contra 37% realizados, com margem de 37,2% contra 37,9% realizados. Chamar isso de cenário central é defensável, e o contrário é que seria difícil de se sustentar.
O cenário conservador mantém a margem da nuvem plana em 36% por 10 anos e não atribui nenhum ganho de margem ao chip próprio. É um piso, não uma expectativa. E mesmo nele o investidor sai praticamente empatado contra o preço atual, o que dimensiona bem o risco de estarmos errados.
Primeiro, a nuvem crescer perto de 34% em 2026 — ela cresceu 37% no 2T26. Segundo, a margem da nuvem se manter perto de 37% (37,9% no 2T26 na versão normalizada). Terceiro, os data centers em construção abrirem no prazo, porque cada um passa a gerar receita assim que recebe servidor e a companhia afirma que a maior parte da capacidade de 2027 já está reservada.
| Projeções que sustentam o cenário base | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| Indicador | 2024A | 2025A | 2026E | 2027E | 2028E |
| Receita consolidada (US$ bi) | 638 | 716,9 | 830,8 | 948,8 | 1.068,30 |
| Crescimento a/a | 11,00% | 12,40% | 15,90% | 14,20% | 12,60% |
| Receita AWS (US$ bi) | 107,6 | 128,7 | 172,5 | 229,4 | 286,8 |
| Crescimento da AWS | 18,80% | 19,70% | 34,00% | 33,00% | 25,00% |
| Margem operacional consolidada | 10,80% | 11,20% | 13,10% | 14,60% | 15,80% |
| Capex de caixa (US$ bi) | 77,7 | 128,3 | 219,3 | 290 | 302,8 |
Como sempre fazemos, colocamos aqui os principais argumentos contrários à nossa visão. Nossa posição é construtiva com o ativo, mas reconhecemos riscos concretos do outro lado e achamos importante deixar isso claro antes que o investidor descubra sozinho.
| Argumentos favoráveis | Argumentos contrários e riscos | |
|---|---|---|
| Carteira contratada | Retorno do Capex ainda não veio | |
| US$ 496 bi na nuvem, prazo médio de 6,4 anos. Mais de 3x o faturamento anual da divisão. | US$ 220 bi previstos para 2026 e caixa livre negativo em US$ 7,6 bi nos últimos 12 meses. | |
| Aceleração recente | Concentração de contraparte | |
| De 28% no 1T26 para 37% no 2T26, o ritmo mais rápido em 18 trimestres. | Um cliente de IA responde por mais de US$ 100 bi de compromisso e é também participação da Amazon. | |
| Capacidade dobrando | Cresce menos que os pares | |
| A companhia espera dobrar capacidade instalada e de energia até o fim de 2027 contra 2025. | Em percentual, a AWS é a mais lenta dos três. Google Cloud cresceu 82% e Azure, 43%. | |
| Margem subindo | Alavanca contábil | |
| 37,9% no 2T26, em alta, enquanto os pares ficam estáveis ou caem. | A vida útil do servidor já mudou duas vezes desde 2024. Encurtar de novo derruba o lucro reportado. | |
| Chip próprio | Regulação | |
| Mais de US$ 225 bi em compromissos de Trainium, e a companhia estuda vendê-lo a terceiros. | Em 2025 foram US$ 2,5 bi em acordo nos Estados Unidos e US$ 1,1 bi em disputas na Itália. |
Abaixo, mapeamos a natureza e relevância de cada risco para a tese em Amazon.com:
| Risco | Natureza | Nível |
|---|---|---|
| Demanda por computação de IA desacelerar antes de a capacidade ser monetizada | Operacional | Alto |
| Concentração em um único cliente de IA, que é também participação da companhia | Contraparte | Alto |
| Nova redução da vida útil de servidores, com impacto no lucro reportado | Contábil | Médio |
| Crescimento percentual abaixo do de Google Cloud e Azure | Competitivo | Médio |
| Custo de componentes, com memória já tendo elevado o Capex de 2026 | Operacional | Médio |
| Ações regulatórias nos Estados Unidos e na Europa | Regulatório | Médio |
| Câmbio, no resultado do International e na conversão do BDR | Macro | Médio |
Iniciamos a cobertura de Amazon.com com recomendação de Compra, com preço-alvo de R$ 82,96 em AMZO34 e US$ 319,30 na ação para o fechamento de 2027.
A companhia está no meio do maior programa de investimento já feito por uma empresa privada. Esse investimento aparece hoje como custo e como queima de caixa. A receita que ele vai gerar começa a aparecer quando os data centers em construção abrirem.
Compramos porque quatro coisas nos parecem estar sendo subestimadas: (i) a carteira de contratos de nuvem já assinada, a US$ 496 bilhões com prazo médio de 6,4 anos; (ii) a aceleração recente, de 28% no 1T26 para 37% no 2T26; (iii) o plano de dobrar a capacidade instalada até o fim de 2027, com a maior parte da capacidade de 2027 já reservada por clientes; e (iv) o chip próprio, que reduz o custo de expandir, já acumula mais de US$ 225 bi em compromissos de receita e pode virar uma linha de venda a terceiros que hoje não existe.
O risco é simétrico ao prêmio. Se a demanda por computação para inteligência artificial desacelerar antes de a capacidade ser monetizada, a conta fica. É por isso que nosso cenário pessimista aponta queda de 38,9%. Também por isso, o papel não cabe em qualquer carteira.
Uma desaceleração da carteira contratada da nuvem, que hoje é o alicerce da tese. Se os contratos assinados pararem de crescer a partir do balanço de setembro de 2026, revisamos a recomendação antes de revisar o preço-alvo.
| Amazon.com: o que acompanhar nos próximos trimestres | |
|---|---|
| Quando | O que olhar |
| Resultado 3T26 | O crescimento da nuvem se manter acima de 35%. O varejo deve crescer menos por deslocamento do Prime Day, e isso é esperado. |
| Carteira em 30/09/2026 | Os contratos assinados seguirem acima de US$ 496 bi. Se pararem de crescer, a tese perde o alicerce. |
| Resultado 4T26 | O guidance de investimento para 2027. Valor muito acima de US$ 220 bi adia a geração de caixa. |
Compra, com preço-alvo de R$ 82,96 para o BDR AMZO34 e US$ 319,30 para as ações da companhia na NASDAQ, representando um potencial de ganho de 19,8% sobre o preço de fechamento do papel no dia 28 de agosto de 2026.
Entendemos que o mercado está descontando o custo da expansão com precisão e a receita que ela gera com atraso, e começamos esse acompanhamento confortáveis com o ativo nos níveis atuais.
| Adequação e dimensionamento | |
|---|---|
| Item | Nossa orientação |
| Perfil | Moderado a arrojado |
| Horizonte mínimo | 24 meses |
| Alocação sugerida | 5% a 10% da parcela internacional da carteira |
| Volatilidade esperada | Alta, com quedas de dois dígitos em janelas curtas sendo normais para este papel) |