Análise de Empresas
17/07/2024 • < 1 minuto de leitura
Análise de Empresas — Relatório de Produção Vale 2T24
A Vale divulgou na noite de terça-feira (16) sua prévia…
A Nvidia reportou na noite desta quarta-feira (26) os resultados do 2º trimestre do ano fiscal 2027 — trimestre encerrado em 26 de julho.
Os números da companhia vieram acima do consenso de mercado e acima do próprio guidance da companhia. A ação sobem cerca de 7% no pregão de hoje (27), quebrando uma sequência de quatro trimestres em que a companhia bateu as estimativas e ainda assim viu o papel corrigir.
A receita ficou em US$ 96,2 bilhões (+18% t/t; +106% a/a), contra um consenso próximo de US$ 92 bi e um guidance de US$ 91 bi. Data Center respondeu por US$ 89,0 bi, com crescimento de 117% na comparação anual. O lucro por ação ajustado ficou em US$ 2,22 e a margem bruta em 75,0%.
Em nossa opinião, porém, o que faz os papéis da companhia subirem hoje é o guidance para o 3T27: a Nvidia projeta receita de US$ 108 bi (+/- 2%) sem assumir nenhuma receita de compute de Data Center na China e, principalmente, a companhia foi além e antecipou uma prévia do ano fiscal 2028 na teleconferência, com crescimento de receita ao redor de 70% — deixando claro que esse número é limitado por oferta e não por demanda.
O mercado passou os últimos trimestres discutindo se o Capex das big techs continuaria. A Nvidia respondeu mostrando que o problema é outro: ela não consegue entregar tudo o que pedem.
A contrapartida veio na margem: a margem bruta ficou em 75,0% no trimestre, mas o guidance do 3T27 já aponta 74,0% e a companhia indicou na teleconferência um piso de 71% a 72% no 4T27. A Nvidia atribui a queda ao custo de memória, que subiu mais do que o esperado e deve seguir pressionado no ano que vem.
São de 3 a 4 pontos percentuais de compressão na margem em dois trimestres. Sobre uma base de receita de US$ 108 bi, cada ponto percentual vale algo perto de US$ 1,1 bi de lucro bruto, então não é um detalhe. A resposta da companhia foi o acordo plurianual com a SK Hynix para memória de próxima geração — o que ajuda no médio prazo, mas não resolve o custo dos próximos dois trimestres. Em nossa leitura, essa é a variável que mais deve mexer com as estimativas de lucro daqui para frente, mais do que a linha de receita.
O caixa também merece atenção. O lucro líquido do trimestre foi de US$ 59,7 bi, mas o caixa gerado pela operação ficou em US$ 24,1 bi e o fluxo de caixa livre ficou em US$ 21,3 bi (ante US$ 48,6 bi no trimestre anterior).
A diferença está em capital de giro: As contas a receber subiram US$ 22,3 bi no trimestre e fecharam em US$ 63,1 bi, o que — por nossas contas — equivale a cerca de 60 dias de venda (vs. cerca de 45 dias no fim do 1T). Estoques passaram de
US$ 21,4 bi em janeiro para US$ 31,6 bi. Parte disso é preparação para o ramp do Vera Rubin e era esperada. A outra leitura possível é o alongamento de prazo para o cliente, e essa precisa ser acompanhada nos próximos trimestres.
No passivo, a companhia captou US$ 24,9 bi em dívida no trimestre e encerrou julho com US$ 33,4 bi de dívida total (vs. US$ 8,5 bilhões em janeiro). Uma empresa que gerou US$ 69,9 bi de caixa livre no semestre não precisa de dívida para tocar a operação. Assim, o uso é outro e aparece no fluxo de caixa: US$ 42,4 bi em compra de participações e US$ 39,0 bi em recompra de ações no acumulado do ano.
Os fatores citados acima devem ser somados às parcerias anunciadas com Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR para montar plataformas capazes de mobilizar mais de US$ 500 bi de capital de terceiros para a construção de infraestrutura de IA. O recado é que o financiamento do ciclo está migrando para o balanço da Nvidia e para veículos ao redor dela. Isso sustenta a demanda no curto prazo e adiciona um risco que não existia dois anos atrás.
Sobre múltiplos, pedimos que os números sejam lidos como preliminares até a publicação do nosso modelo: nossas contas iniciais colocam o lucro ajustado do FY2027 perto de US$ 9 por ação e do FY2028 na casa de US$ 15, assumindo uma margem bruta entre 70% e 72% no ano que vem.
Com a ação ao redor de US$ 230, isso significa algo como 25x para o ano fiscal corrente e perto de 15x para o seguinte. São múltiplos que não descrevem uma bolha, descrevem uma companhia que o mercado acredita que vai desacelerar rápido. A discussão sobre bolha, em nossa opinião, está no financiamento do ciclo e na rentabilidade do investimento dos clientes, não no preço da ação da Nvidia.
Os pontos de atenção que devemos acompanhar nos próximos trimestres são: (i) a trajetória do custo de memória e se o piso de margem de 71% a 72% se confirma ou é revisado para baixo; (ii) a evolução de contas a receber e estoques, para separar preparação de ramp de alongamento de prazo ao cliente; (iii) o tamanho e a estrutura das plataformas de financiamento de terceiros e quanto de risco permanece com a companhia; (iv) o ramp do Vera Rubin e a capacidade efetiva de entrega, que hoje é o fator limitante do crescimento; e (v) qualquer sinal de retomada de vendas de compute na China, hoje zerada nas projeções e, portanto, tratada como opcionalidade.
Mantemos nossa recomendação de compra em Nvidia e nosso preço-alvo de R$ 27,50 para o BDR NVDC34. Apesar disso, os números devem ser revisados após incorporarmos a nova trajetória de margem bruta e o guidance preliminar do FY2028 em nosso modelo.
| Preço Alvo | R$ 27,50 |
| Preço Atual | R$ 24,75 |
| Upside | 11% |
| Capitalização de Mercado (USD tri) | 5,55 |
| Semana | +5,32% |
| Mês | +18,14% |
| Ano | +15,02% |
Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.