Monte Bravo Analisa — Resultado Nu 1T26

15/05/2026 • 3 mins de leitura

O Nu divulgou ontem (14) após o fechamento do mercado seus números referentes ao 1º trimestre de 2026.

O banco reportou números operacionais reportados sólidos, com aceleração do crescimento em linhas importantes — como o crescimento da carteira de crédito e aumento nos spreads — e uma evolução no seu índice de eficiência. A carteira, porém, mostrou alguma deterioração, com evolução na inadimplência e aumento significativo nas provisões.

A reação do mercado aos números divulgados foi de forte realização. No entanto, após o call de resultados com algumas explicações da gestão e a decomposição da deterioração em alguns indicadores de crédito, o mercado se acalmou. O papel, que iniciou o call caindo 12%, fechou com queda de “apenas” 4% no aftermarket.

A companhia entregou bom crescimento em sua carteira de crédito, com aumento de 7% na comparação trimestral e de 40% na comparação anual. Nesse trimestre, tivemos uma aceleração nas linhas de crédito pessoal sobre Cartão e Colateralizados, o que pode ajudar a explicar um aumento nas provisões.

Com a expansão da Carteira e um mix de spread ligeiramente mais elevado, a Receita Financeira Líquida cresceu 15% na comparação trimestral e 61% na comparação anual. No entanto, a margem ajustada ao risco — que leva em consideração a PDD — apresentou ligeira retração na comparação trimestral, saindo de 10,5% para 9,5%, resultado de um maior provisionamento por parte do banco.

Os indicadores de crédito apresentaram deterioração de 90 bps na inadimplência entre 15 e 90 dias, que atingiu 5%. A companhia atribui 65 bps à sazonalidade e o restante à mudança de mix e internacionalização. A dinâmica de inadimplência acima de 90 dias se manteve estável.

Apesar das dúvidas gerais que o mercado tem sobre como o atual cenário afetaria o resultado do setor bancário, e do Nu em particular, estamos mais confortáveis. Entendemos que o banco foi até mesmo mais conservador, provisionando mais do que esperávamos e mantendo índices de coberturas bem confortáveis para atravessar um cenário de piora —caso ele se concretize.

Desta forma, a diferença nos números reportados para nossas expectativas aconteceu graças ao conservadorismo do Nu na realização de suas provisões, que levou os índices de cobertura em diversos indicadores importantes para níveis bem elevados. Esperamos que nos próximos trimestre — com o Desenrola 2.0, melhora da sazonalidade e mais tempo decorrido da isenção de IR nos salários acima de R$ 5 mil — esses números evoluam de maneira mais positiva, o que poderia levar a PDD menores e — com a evolução da Carteira de Crédito — a expansão de margens e resultados. 

A companhia confirmou que a operação no México atingiu o breakeven durante o 1T26 e que deve continuar evoluindo durante o ano. Essa evolução deve ser acelerada após a licença bancária no país ficar 100% operacional, possivelmente no meio do ano, o que permitirá ao Nu atuar em outras categorias.

A companhia continua crescendo seus depósitos, mostrando que (i) o banco tem ganhado principalidade dos clientes; e (ii) o banco tem uma base de depósitos crescente para continuar evoluindo no crescimento de sua carteira de crédito conforme adicione mais produtos — essa aceleração deve ser importante para a rentabilidade da operação.

Com a evolução dos resultados, a Receita Média por Usuário Ativo (average revenue per active customer, ARPAC) atingiu US$ 16 por mês, crescimento de 23% ex-variações cambiais. O Custo de Servir (CS) se manteve estável em US$ 0,9. A alavancagem operacional que o Nu tem apresentado é um dos pontos principais de nossa tese na companhia.

Nu (ROXO34) — Compra

Preço Alvo18,50
Preço Atual13,56
Upside36%
Capitalização de Mercado (R$ bi)75

Performance

Semana-9,77%
Mês-14,55%
Ano-11,88%

Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.

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