Volatilidade domina mercados enquanto conflito no Golfo eleva risco para o petróleo

06/03/2026 • 4 mins de leitura

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Os mercados globais seguem voláteis, tentando incorporar o choque geopolítico e mensurar a extensão do impacto sobre os preços do petróleo para calibrar o prêmio de risco.

Os preços dos ativos continuam oscilando em função da percepção sobre a oferta de energia. As cotações do petróleo exibiram forte volatilidade na madrugada desta sexta-feira, depois de operarem em baixa, sofreram uma forte reversão, por volta das 6h30, após o ministro de Energia do Catar, afirmar que levará várias semanas para retomar a produção depois das explosões.

O representante catari alertou que os Estados do Golfo podem ser forçados a interromper todas as exportações de energia caso as condições regionais não melhorem. Em um cenário extremo, as cotações do petróleo poderiam atingir US$ 150,00 por barril se o Estreito de Ormuz ficar fechado por várias semanas.

No campo de batalha, a capacidade de retaliação iraniana demonstra sinais de esgotamento, com o volume de ofensivas caindo substancialmente desde o primeiro dia do conflito, registrando uma retração de aproximadamente 90,00% no disparo de mísseis e de 83,00% no uso de drones.

No front econômico, as atenções se voltam para o relatório de empregos dos EUA (payroll) de fevereiro, com divulgação prevista para as 10h30. Economistas projetam a criação de 50.000 vagas, uma forte desaceleração em relação aos 130.000 postos adicionados em janeiro. A expectativa é que a taxa de desemprego permaneça estável em 4,30%.

As taxas das Treasuries operam estáveis nesta manhã, com o título de dois anos a 3,62%, e a taxa do papel de dez anos em 4,17%.

No mercado cambial, o índice DXY recua 0,04%, aos 99,28 pontos. O ouro exibe alta de 0,04%, cotado a US$ 5.084,37 a onça troy, e o Bitcoin cede 0,72%, negociado a US$ 70.632,49.

O petróleo retomou a trajetória de alta na manhã desta sexta-feira, revertendo o alívio das horas anteriores. O Brent, referência global, avançou 1,60%, negociado a US$ 86,79 o barril. O WTI salta 4,02%, operando a US$ 84,27 o barril. O minério de ferro avança 1,42%, cotado a US$ 101,01 por tonelada.

Na Ásia, o índice chinês CSI 300 avançou 0,27% e o Nikkei, do Japão, subiu 0,62%. As bolsas europeias operam em queda com o índice Euro Stoxx em baixa de 0,31%. Nos EUA, os futuros do S&P 500 operam em queda de 0,44%.

No Brasil, o Ibovespa encerrou a sessão anterior com queda de 2,64%, aos 180.463,84 pontos. O dólar subiu 0,63%, fechando a R$ 5,2639. Na curva de juros, a taxa do contrato para janeiro de 2027 avançou 12 pontos-base, e a do contrato para janeiro de 2031 saltou 26 pontos-base.

EUA – A produtividade do trabalho surpreendeu positivamente no quarto trimestre, com alta anualizada de 2,8% em relação ao trimestre anterior, elevando o crescimento anual para o mesmo patamar. Os custos unitários do trabalho também avançaram 2,8% no período, acima do esperado, enquanto a taxa anual permaneceu em 1,3%. Ao mesmo tempo, a remuneração por hora acelerou para um ritmo anualizado de 5,7%, ante 3,3% no trimestre anterior, levando a taxa em 12 meses a 4,1%. Indicadores de acompanhamento salarial apontam crescimento mais moderado, em torno de 3,5% a 3,6%, sugerindo que as pressões de custos seguem relativamente contidas.

EUA – Os preços de importação subiram em janeiro, com avanço de 0,2% no índice geral e de 0,4% quando excluído o petróleo, refletindo em parte o efeito defasado da depreciação do dólar. Houve alta nos preços de bens de capital, alimentos e bebidas, automóveis e bens de consumo, enquanto insumos industriais recuaram. Com base nesses dados, a projeção para o núcleo do PCE indica alta de 0,39% em janeiro, elevando a inflação anual para aproximadamente 3,1%, enquanto o índice cheio deve ter subido 0,30% no mês, para cerca de 2,85% em 12 meses.

Brasil – A taxa de desemprego no trimestre encerrado em janeiro de 2026 ficou em 5,4%, recuo de 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025. O aumento em relação ao trimestre encerrado em dezembro segue um padrão sazonal recorrente para o início do ano. Nos dados ajustados sazonalmente, a taxa permaneceu praticamente estável em 5,4%, refletindo crescimento semelhante da população ocupada e da força de trabalho, ambos com alta de 0,3%.

O nível de emprego voltou a mostrar expansão na margem, com crescimento mais forte das posições formais. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a população ocupada avançou 1,7%, impulsionada por um aumento de 3,1% nos vínculos formais, enquanto as ocupações informais recuaram 0,6%. Esse movimento levou a uma nova queda da taxa de informalidade, que atingiu 37,5%, renovando mínima histórica quando excluído o período atípico da pandemia.

A taxa de participação da força de trabalho ficou em 62,1%, com leve queda na série sem ajuste sazonal e pequena alta na série ajustada. O indicador permanece abaixo do nível pré-pandemia e tende a seguir pressionado por fatores demográficos, especialmente o envelhecimento da população. Ao mesmo tempo, os rendimentos reais continuam avançando: o rendimento médio efetivo subiu 0,3% e o habitual 0,5% na margem, com ganhos mais fortes entre trabalhadores formais.

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.               

Fonte: Bloomberg.

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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