Com Fed e Oriente Médio no Radar, mercado opera em tom de cautela

30/01/2026 • 4 mins de leitura

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Mercados

A expectativa pelo anúncio do novo presidente do Fed e o arrefecimento das tensões no Oriente Médio ditam a abertura dos negócios hoje (30). A sessão é marcada pela forte realização do ouro.

No front geopolítico, os preços do petróleo cedem após relatos de que Donald Trump pretende dialogar com o Irã, a despeito do envio de novo navio de guerra americano à região. O Brent recua 1,43%, a US$ 69,70 por barril, enquanto os futuros do WTI operam em baixa de 1,65%, a US$ 64,33 por barril.

Nos Estados Unidos, Trump confirmou que anunciará o sucessor de Jerome Powell na manhã desta sexta-feira. Kevin Warsh, ex-diretor do Fed, lidera as apostas, seguido por Rick Rieder, da BlackRock, e Kevin Hassett, do Conselho Econômico Nacional. Nas Treasuries, as taxas dos títulos de 10 anos oscilam a 4,26%, enquanto os papéis de 2 anos mostram estabilidade em 3,55%.

O dólar ganha tração, com o índice DXY avançando 0,43%, cotado a 96,69 pontos. A queda da percepção de risco leva a uma realização no ouro, que despenca 6,40% para US$ 5.031,19 por onça-troy, enquanto o Bitcoin recua 2,69% e negocia a US$ 82.111,51.

Na Ásia, as bolsas encerraram em baixa. O índice chinês Shanghai CSI 300 recuou 1,00%, movimento seguido pelo Nikkei, do Japão, que perdeu 0,10%.

Na Europa, o Euro Stoxx avança 0,45%, em contraste com os futuros do S&P 500, que caem 0,87%. Pesa sobre os índices americanos o tombo de 10% da Microsoft na sessão anterior — o pior desempenho diário desde 2020, motivado pela desaceleração na nuvem Azure e um guidance fraco. Em contrapartida, a Apple sobe no after-hours após superar expectativas de lucro, impulsionado pelas vendas de iPhone.

No Brasil, o Ibovespa realizou ganhos recentes e encerrou o último pregão em queda de 0,84%, aos 183.133,75 pontos. O dólar recuou 0,15% frente ao real, cotado a R$ 5,1897, o menor nível desde 2024, favorecendo o fechamento da curva de juros futuros.

Economia

Brasil: A economia registrou fechamento de 618,2 mil vagas formais em dezembro, levando a criação líquida de 1,3 milhão de empregos em 2025. Após o ajuste sazonal, o saldo negativo foi de 55,9 mil vagas, resultado inferior ao de novembro e ao de dezembro do ano anterior. A média móvel de 3 meses desacelerou de 78 mil vagas em novembro para 25 mil vagas em dezembro.  

A indústria e a construção civil registraram fechamentos de 11,8 mil e 18,4 mil vagas em dezembro com ajuste sazonal, indicando a perda de ritmo dos setores mais sensíveis às taxas de juros. Até mesmo o setor de serviço — que é mais resiliente — registrou queda de 20,5 mil vagas em dezembro com ajuste sazonal, reforçando a tendência de desaceleração da atividade.

O fraco resultado do emprego em dezembro reforça a expectativa de contração da economia no 4° trimestre de 2025, com o PIB registrando queda de 0,1% na margem. Diante desse cenário, a expectativa é que o Banco Central inicie o ciclo de corte de juros com um corte de 50 pontos base na reunião de março, levando a taxa Selic para 12,25% ao ano nofinal do ciclo de cortes.

Brasil: Em dezembro, o governo registrou superávit primário de R$ 22,1 bilhões. Com isso, o governo central encerrou o ano com déficit primário de R$ 61,7 bilhões (-0,5% do PIB). Segundo o Tesouro, a meta fiscal foi cumprida após a exclusão de R$ 48,7 bilhões em despesas, o que levou o resultado ajustado para a meta a -R$ 13,0 bilhões — dentro da banda de tolerância. No acumulado em 12 meses, o déficit permaneceu estável em -0,5% do PIB, enquanto o indicador oficial para apuração da meta, calculado pelo Banco Central, será divulgado posteriormente.

Pelo lado das receitas, houve avanço das receitas administradas e da arrecadação líquida da previdência, sustentadas por um mercado de trabalho ainda resiliente. O avanço foi parcialmente compensado pela forte queda das receitas não administradas, refletindo menores concessões e dividendos. Nas despesas, o crescimento de 3,1% em termos anuais foi puxado pelas rubricas obrigatórias, como benefícios previdenciários, pessoal e BPC, além de forte expansão das despesas discricionárias.

Com o resultado do Governo Central divulgado, estimamos que o resultado primário consolidado do setor público — que inclui o governo central, as empresas estatais e os Estados e Municípios — deve ser um déficit de 0,6% do PIB em 2025. Esse resultado representa melhor o desafio de ajustar as contas públicas com o atual arcabouço fiscal.

A expectativa é que o resultado primário consolidado permaneça negativo em 2026, com déficit de 0,9% do PIB em 2026, refletindo o aumento de gastos no período eleitoral e a menor arrecadação com a desaceleração da economia.

Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.                 

Fonte: Bloomberg.

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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