Mercados operam positivos após Superquarta, mas tensões voltam ao radar

29/01/2026 • 4 mins de leitura

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Mercados

Os mercados globais operam com viés positivo na manhã desta quinta-feira (29). O movimento é sustentado pela manutenção dos juros pelo Federal Reserve no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano e por resultados corporativos pontuais, ainda que a escalada das tensões com o Irã imponha cautela.

Nesse ambiente de riscos cruzados, o ouro confirma seu status de refúgio e rompe a barreira históricados US$ 5.500 por onça, enquanto o Ibovespa renovamáximas históricas impulsionado pelo fluxo externo.

A retórica militar mais agressiva de Donald Trump em relação a Teerã sustenta o prêmio de risco nas commodities. O petróleo WTI avança 2,83%, cotado a US$ 65,00 por barril, reagindo aos temores de choque de oferta. Na contramão, o minério de ferro registra leve baixa de 0,19%, negociado a US$ 105,50 por tonelada.

No mercado de renda fixa, os Treasuries operam estáveis após a decisão do Fed. A taxa do título de 10 anos oscila marginalmente para 4,25%, enquanto o vencimento de 2 anos permanece estacionado em 3,57%.

No front cambial, o índice DXY recua 0,12%, aos 96,33 pontos. O ouro avança 1,70%, cotado a US$ 5.509,44 por onça, enquanto o Bitcoin cede 1,73%, negociado a US$ 87.730,57.

Nos mercados asiáticos, o índice chinês Shanghai CSI 300 encerrou com alta de 0,76%, descolando-se do Nikkei japonês, que fechou praticamente estável.

Na Europa, o Euro Stoxx sobe 0,43%, movimento acompanhado pelos futuros do S&P 500, que avançam 0,25%. No radar corporativo, as ações da Meta disparam com o guidance de vendas, enquanto a Microsoft recua após projeções de margens mais fracas. A Apple divulga seus números hoje após o fechamento.

No Brasil, o Ibovespa encerrou o último pregão em alta de 1,52%, aos 184.691,05 pontos — renovando recordes a despeito da valorização de 0,24% do dólar, que fechou a R$ 5,1974. A curva de juros doméstica apresentou um movimento homogêneo de fechamento, com as taxas recuando em sintonia.

Economia

EUA: O Fed manteve a taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano e ajustou o tom do comunicado para refletir uma economia mais resiliente. O Fed passou a caracterizar o crescimento como sólido, ante moderado, reconheceu a estabilização da taxa de desemprego e manteve a avaliação de que a inflação segue em nível elevado. No balanço de riscos, o comitê retirou a menção de que os riscos de deterioração do mercado de trabalho haviam aumentado — um fator que justificou os cortes de juros iniciados em setembro do ano passado.

Segundo o presidente do Fed Jerome Powell,a desaceleração observada no emprego reflete, sobretudo, a menor imigração e a queda da taxa de participação — e não um enfraquecimento mais amplo da demanda por trabalho. Com relação à inflação, ele destacou que o impacto das tarifas sobre os preços de bens permanece contido e que a desinflação de serviços tem se intensificado, uma evolução considerada relevante para o cenário prospectivo.

A mensagem geral foi de conforto com o nível atual de juros e ausência de urgência para retomar o ciclo de flexibilização. Avaliamos que essa sinalização é compatível com nosso cenário de retomada do ciclo de corte de juros a partir da reunião de junho,com dois cortes de 25 pontos base até o final de 2026. Para mais detalhes sobre a decisão do FOMC e seus impactos, confira nossa análise completa.

Brasil: O Banco Central manteve a taxa Selic em 15% a.a., em decisão unânime, mas indicou que deverá iniciar o ciclo de corte de juros na reunião de março. 

No cenário doméstico, o comitê avaliou que a atividade econômica e o mercado de trabalho seguem em trajetória de moderação, embora o emprego ainda mostre sinais de resiliência. A inflação e as medidas subjacentes continuam arrefecendo, mas permanecem acima da meta, enquanto as expectativas de inflação para 2026 e 2027 seguem desancoradas, segundo o Focus. A projeção de inflação para o terceiro trimestre de 2027, horizonte relevante da política monetária, foi mantida em 3,2%.

Diante desse quadro, o Banco Central avaliou que o atual nível de juros está adequado para garantir a convergência da inflação à meta, ao mesmo tempo em que sinalizou a possibilidade de iniciar a flexibilização monetária já na próxima reunião.

Avaliamos que o comunicado é compatível com um corte de 50 p.b. na reunião de março, com a taxa Selic atingindo 12,25% a.a. ao final do ciclo de corte de juros. Para mais detalhes sobre a decisão do Copom e seus impactos, confira nossa análise completa.

Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.                 

Fonte: Bloomberg.

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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