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16/02/2024 • 3 mins de leitura
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Estrategista-chefe Rai Chicoli vê tentativa do BC de não alterar demais a comunicação a fim de não gerar volatilidade antes das eleições

Ao reforçar as leituras de uma desaceleração mais clara da atividade econômica e de melhora qualitativa da inflação, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se alinha à perspectiva de mais cortes da taxa Selic nas próximas decisões do colegiado, avalia Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora.
“A ata foi neutra, muito parecida com o comunicado em relação às mudanças que foram feitas”, diz Chicoli, que viu uma tentativa de não alterar demais a comunicação a fim de não gerar volatilidade antes das eleições e com um cenário que, em grande medida, está alinhado com aquilo que o próprio Copom antecipava.
Para o estrategista, a descrição do Copom sobre a atividade econômica pareceu ter deixado mais clara a desaceleração atualmente em curso. Embora esse processo siga gradual, ele parece ter se acelerado recentemente, conforme a visão do comitê e do próprio mercado.
Em relação a esse ponto, chamou atenção a inclusão de um novo parágrafo na ata que trata das condições do mercado de crédito bancário, a fim de tornar mais explícita a desaceleração das concessões diante da política monetária bastante restritiva do BC. Segundo Chicoli, é possível até que esse parágrafo tenha sido incluído a fim de acalmar preocupações acerca de eventos não lineares que possam trazer algum estresse ou desaceleração mais intensa da atividade.
Embora não veja um quadro mais extremo como cenário-base, Chicoli diz estar cada vez mais preocupado com o elevado nível de inadimplência das pessoas físicas, e defende que o Relatório de Política Monetária (RPM), que será divulgado na quinta-feira, detalhe melhor o comprometimento de renda e o grau de endividamento das famílias.
Posto como contraponto ao cenário doméstico mais favorável aos cortes da Selic, a ata classificou o cenário externo como incerto e ressaltou os riscos atrelados ao avanço dos preços do petróleo e a política monetária de economias desenvolvidas. Chicoli, contudo, não vê o ambiente global como o principal vetor para as próximas decisões do Copom, a menos que a guerra no Oriente Médio seja solucionada ou então escale ainda mais nos próximos meses.
Para o estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora, a atividade econômica e a percepção do mercado sobre a política fiscal após as eleições devem balizar o caminho de curto prazo da Selic. Ele não descarta, inclusive, a chance de que o Copom acelere os cortes para 0,5 ponto percentual, caso o cenário se torne bastante benigno depois do pleito.
No momento, Chicoli projeta mais dois cortes de 0,25 ponto em 2026, para 13,25%, além de uma Selic em 11,50% no fim de 2027 – estimativa esta que ele entende ser um “meio do caminho” entre um encaminhamento fiscal insuficiente e uma consolidação mais robusta sobre a trajetória da dívida no ano que vem.
Entrevista publicada no Valor Econômico.