Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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Os mercados globais encerram uma semana agitada, digerindo uma bateria de manchetes vindas de Washington. No cenário externo, o presidente Donald Trump voltou a pressionar pela ideia de assumir o controle da Groenlândia, após uma reunião de alto nível entre Estados Unidos, Dinamarca e autoridades locais terminar sem acordo, embora com a promessa de continuidade do diálogo.
No Oriente Médio, as tensões arrefeceram depois que Trump sinalizou a suspensão de ataques militares, citando indícios de menor repressão por parte do Irã aos protestos. Nos Estados Unidos, autoridades do Federal Reserve reforçaram o foco no combate à inflação: Austan Goolsbee destacou que, com o mercado de trabalho estável, a prioridade deve ser conter a alta de preços, enquanto Jeff Schmid classificou a inflação como excessivamente aquecida.
Diante da melhora nos números de emprego e da preocupação dos dirigentes com a inflação, os contratos futuros de juros (Fed funds) postergam as expectativas para o próximo corte de taxas para junho. As taxas dos Treasuries operam próximas da estabilidade: a nota de 10 anos trabalha a 4,17%, enquanto o título de 2 anos oscila levemente para 3,56%.
No mercado de câmbio, o índice DXY — que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de pares globais — recua levemente para 99,28 pontos. O Bitcoin, por sua vez, negocia estável a US$ 95.513,86.
O ouro amplia as perdas nesta sexta-feira (16), pressionado por dados econômicos mais fortes nos EUA — que arrefeceram as apostas de corte de juros no curto prazo — e pela menor demanda por proteção (safe haven) com o alívio nas tensões geopolíticas. O metal à vista recua 0,4%, a US$ 4.598,52 por onça-troy, mas caminha para um ganho semanal de cerca de 2% após atingir o recorde de US$ 4.642,72 na quarta-feira (14).
O petróleo WTI avança 0,90%, cotado a US$ 59,72 por barril. Em contrapartida, o minério de ferro trabalha em terreno negativo, com recuo de 0,56%, negociado a US$ 107,39 por tonelada.
Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em baixa. O índice Nikkei, em Tóquio, encerrou com queda de 0,32%, enquanto o Shanghai CSI 300 recuou 0,41%. Os mercados europeus operam em leve baixa, com o Euro Stoxx recuando 0,34%, aos 6.020,90 pontos. Já os futuros de Nova York indicam uma abertura positiva, com o S&P 500 Futuro registrando alta de 0,24%.
No mercado local, o Ibovespa encerrou o pregão de ontem (15) com valorização de 0,26%, aos 165.568,32 pontos. O dólar à vista fechou cotado a R$ 5,3707, enquanto a curva de juros doméstica apresentou leve abertura.
EUA: Os preços de importação mostraram pressão moderada no fim do ano. Em outubro e novembro, os preços gerais e os preços de importação excluindo petróleo avançaram, em média, 0,2% e 0,3%, respectivamente. Na comparação anual, os preços de importação subiram 0,1% em novembro, contrariando a expectativa de queda do mercado. A alta das tarifas aéreas internacionais — insumo relevante para o componente de viagens ao exterior do núcleo do PCE — foi de 0,7% em outubro e 3,7% em novembro.
Com base nesses dados, a estimativa é de que o núcleo do índice de preços do PCE tenha subido 0,18% em outubro e 0,20% em novembro, com aceleração projetada para 0,40% em dezembro. Isso levaria a inflação anual do núcleo do PCE de 2,7% em outubro para 3,0% em dezembro.
Brasil: As vendas no varejo surpreenderam positivamente em novembro. O varejo restrito cresceu 1,0% na margem e 1,3% em termos anuais, enquanto o varejo ampliado avançou 0,7% na margem. Com esse desempenho, o varejo restrito atingiu nova máxima histórica, afastando a tendência recente de estagnação, e o varejo ampliado registrou o terceiro maior volume da série, dando continuidade à recuperação após as fortes quedas observadas no segundo trimestre de 2025.
O principal vetor da surpresa altista foi o varejo alimentício, que subiu 1,0% na margem após um longo período de fraqueza, finalmente reagindo à deflação acumulada dos preços de alimentos no domicílio ao longo do segundo semestre. Em linha com a queda de preços, as vendas de combustíveis também cresceram. Entre os segmentos com desempenho já esperado, destacaram-se farmácias e cosméticos, com alta de 2,2% na margem.
A Black Friday impulsionou categorias de bens duráveis, como eletrodomésticos, informática e artigos de uso pessoal, favorecidas por descontos e por um ambiente deflacionário nos preços de eletroeletrônicos, reforçado pela valorização cambial.
Além disso, as vendas de materiais de construção mantiveram trajetória de alta, possivelmente apoiadas pelo lançamento do programa Reforma Casa Brasil, enquanto o atacarejo voltou a registrar crescimento interanual, sinalizando uma melhora gradual também nesse segmento.
Embora o desempenho de novembro tenha surpreendido, a expectativa é que parte desse desempenho seja revertido em dezembro, com o menor impacto da Black Friday e a antecipação de compras de final de ano. O tracking do PIB segue indicando contração de 0,1% na margem no 4° trimestre, com a economia crescendo 2,2% em 2025.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |