Informe Diário
16/09/2024 • 4 mins de leitura
Antes da superquarta, ativos de risco seguem em compasso de espera
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O cenário global permanece condicionado pelos riscos geopolíticos nesta semana. Os investidores estão atentos à insistência de Trump na aquisição da Groenlândia e aos desdobramentos das tensões com o Irã.
O encontro na Casa Branca entre representantes da Groenlândia, da Dinamarca e dos EUA, realizado ontem (14), terminou em “desacordo fundamental” sobre a soberania da ilha, segundo relatou uma autoridade dinamarquesa.
Paralelamente, o atrito entre Washington e Teerã pressiona o sentimento dos agentes em meio a especulações sobre uma possível ação militar americana. No entanto, a declaração de Trump de que cessaram as mortes de manifestantes no Irã foi interpretada pelo mercado como sinal de redução na probabilidade de uma intervenção dos EUA.
Os juros dos Treasuries oscilam de forma contida nesta manhã, com a taxa do título de 10 anos a 4,14%. O vencimento de 2 anos marca 3,52%.
No mercado de moedas, o dólar opera estável, com o índice DXY avançando 0,05%, aos 99,11 pontos. O ouro apresenta leve ajuste negativo de 0,35%, cotado a US$ 4.610,26 por onça-troy, ao passo que o Bitcoin cede 0,66%, trocada a US$ 96.915,81.
Entre as commodities, o petróleo trabalha em forte baixa nesta quinta-feira (15), com o WTI desvalorizando 4,01%, a US$ 59,53 por barril. Este movimento reflete o arrefecimento dos temores de um ataque ao Irã após as falas do presidente americano. O minério de ferro recua 0,18%, cotado a US$ 108,00 por tonelada.
As bolsas asiáticas encerraram o pregão sem sinal único: o índice japonês Nikkei registrou queda de 0,42%, enquanto o Shanghai CSI 300 avançou 0,20% e o índice Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,66%.
Na Europa, os índices acionários operam em terreno positivo, com o Euro Stoxx subindo 0,40%. Esta dinâmica foi acompanhada pelos futuros em Nova York, onde o S&P 500 ganha 0,34%.
No Brasil, o Ibovespa encerrou o pregão de ontem em alta expressiva de 1,96%, aos 165.145,98 pontos. O dólar acompanhou a dinâmica externa e subiu 0,36%, cotado a R$ 5,3928. A curva de juros apresentou abertura de cerca de 5 pontos base.
EUA: As vendas no varejo mostraram desempenho sólido em novembro, embora com sinais de moderação no consumo. O núcleo das vendas — que excluem automóveis, gasolina e materiais de construção — avançaram 0,4% no mês, em linha com as expectativas, enquanto o gasto total subiu 0,6%, levemente acima do consenso.
No entanto, revisões negativas para setembro e outubro indicaram um ritmo mais fraco do que o inicialmente estimado. O crescimento foi puxado por lojas de artigos esportivos, varejistas diversos e vestuário, ao passo que lojas de departamento e o segmento de móveis e artigos para o lar registraram desempenho mais fraco.
EUA: No mercado imobiliário, as vendas de casas usadas aumentaram 5,1% em dezembro, alcançando uma taxa anualizada de 4,35 milhões de unidades — o maior nível desde fevereiro de 2023 e acima das expectativas. O avanço foi generalizado entre tipos de imóveis e regiões, apoiado por queda nas taxas hipotecárias e desaceleração da alta dos preços. A oferta permaneceu restrita, com o estoque equivalente a apenas 3,9 meses de vendas.
Diante das revisões negativas do consumo, o tracking do PIB do quarto trimestre foi reduzido em 0,1 p.p., para 2,1% em termos anualizados, enquanto os indicadores de vendas finais sugerem uma demanda doméstica ainda moderada.
EUA: Os preços ao produtor avançaram de forma moderada no fim do ano, reforçando a leitura de desinflação gradual, ainda que com pressões pontuais em alguns serviços. O índice de preços ao produtor (PPI) subiu 0,1% em outubro e 0,2% em novembro, em linha com as expectativas, enquanto o núcleo do PPI perdeu fôlego em novembro após alta mais forte no mês anterior.
Medidas mais amplas de inflação ao produtor, que excluem alimentos, energia e serviços de comércio, também ficaram abaixo do consenso, refletindo a compressão das margens de varejistas e atacadistas. Por outro lado, os itens mais relevantes para o cálculo do núcleo do PCE vieram acima do esperado, com destaque para saúde e serviços financeiros.
Esses movimentos levaram a revisões para cima nas estimativas do núcleo do PCE, a métrica preferida do Fed. Com base nos dados do CPI e do PPI, o núcleo do PCE é estimado em 0,13% em outubro e 0,18% em novembro, acima das projeções anteriores, refletindo sobretudo inflação mais elevada em serviços médicos e financeiros.
Para dezembro, na ausência de novos dados do PPI, a projeção para o núcleo do PCE foi mantida em 0,4% no mês e 2,9%na variação anual — sinalizando que o processo de convergência da inflação à meta segue em curso, mas de forma irregular.


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.


Por:
| Alexandre Mathias | Luciano Costa | Bruno Benassi |
| Estrategista-chefe da Monte Bravo Corretora | Economista-chefe da Monte Bravo Corretora | Analista de Ativos CNPI: 9236 |