Nesta Superquarta, mercado volta atenções para projeções do Fed

10/12/2025 • 4 mins de leitura

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Mercados

O foco do mercado global nesta quarta-feira (10) é o Federal Reserve, que conclui às 16h (Horário de Brasília) sua última reunião do ano. Embora o mercado trate como praticamente certa uma redução de 25 pontosbase, os investidores se voltam ao dotplot — o Sumário de Projeções Econômicas —, para avaliar como os diretores do Fedenxergamos próximos anos e onde projetam juros, crescimento e mercado de trabalho.

O sentimento do comitê segue dividido, com parte dos membros defendendo cortes para evitar maior enfraquecimento do emprego e outros avaliando que uma nova redução pode reacender a inflação. O mercado busca sinais no comunicado pós-reunião e na entrevista coletiva do presidente Jerome Powell.

Nossa expectativa é de que o Fed faça um corte hawkish, pois Powell reforça que a economia segue crescendo em ritmo saudável e que há riscos dos dois lados do mandato — tanto de inflação mais persistente quanto de elevação do desemprego. Por isso, a sinalização tende a ser de pausa após esta decisão.

Os juros dos Treasuries oscilam de forma marginal, com a taxa de 2 anos negociando em 3,62% e a de 10 anos em 4,20% — ambas próximas da estabilidade — nesta manhã.

O dólar trabalha praticamente estável no mercado internacional: o índice DXY registra uma variação de -0,06% e é opera em 99,2 pontos. O ouro ajusta-se em baixa, com variação de -0,37% e preço em US$ 4.192,60 por onça troy, enquanto o Bitcoin trabalha em alta, com variação de 0,36% e cotação próxima de US$ 92.995,40.

O petróleo WTI oscila perto da estabilidade, com variação de -0,02% e preço em US$ 58,24 o barril. O minério de ferro em Cingapura recua ligeiramente, com variação de -0,09% e cotação em US$ 105,95 por tonelada.

Na Ásia, os mercados operaram sem direção única nesta quarta, à medida que os investidores digeriram os dados de inflação da China e aguardavam a decisão de juros do Fed. O índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,22%, enquanto o CSI 300 da China continental recuou 0,14% e o Nikkei apresentou queda de 0,10%. Na Europa, o Euro Stoxx trabalha em leve baixa, com variação de -0,09%, enquanto o futuro do S&P 500 negocia em leve alta de 0,08%.

No Brasil, ontem (09) o Ibovespa fechou em queda de 0,13%, aos 157.981 pontos. O dólar à vista terminou o dia em leve alta, com variação de 0,14% e cotado a R$ 5,4399. A curva de juros doméstica apresentou inclinação, com os contratos curtos de DI futuro tendo recuado marginalmente e os vértices longos avançando de forma moderada. Na manhã de hoje, o EWZ, ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, oscila próximo da estabilidade, com variação de -0,03%.

Economia

EUA: As vagas de emprego aumentaram de 7,23 milhões em agosto para cerca de 7,66 milhões em setembro e outubro, superando as expectativas. Os maiores avanços ocorreram no varejo e no comércio atacadista, enquanto os maiores recuos foram observados em serviços profissionais, empresariais, financeiros e de seguros. A taxa de abertura de vagas permaneceu estável em 4,6% em outubro.

Em contraste, o ritmo de contratações diminuiu para 3,2%, e a taxa de demissões subiu para 1,2%, impulsionada pelo aumento de cortes em governos estaduais e locais. A taxa de pedidos de demissão voluntária caiu para 1,8%, o menor nível desde 2014 fora do período da pandemia.

China: A inflação ao consumidor acelerou em novembro, com o CPI subindo para 0,7% na comparação anual após registrar 0,2% em outubro. No dado mensal dessazonalizado e anualizado, o índice também avançou levemente, refletindo sobretudo o aumento dos preços dos alimentos. A alta foi intensificada por problemas de oferta gerados por condições climáticas adversas.

A inflação de alimentos voltou ao campo positivo, passando de deflação de 2,9% em outubro para 0,2% em novembro. Os preços de vegetais frescos subiram de forma expressiva, enquanto as carnes suínas continuaram em queda, embora em ritmo um pouco menor. A inflação de itens não alimentares desacelerou ligeiramente para 0,8%, com recuos no custo de combustíveis, estabilidade nos bens essenciais e desaceleração nos serviços. O núcleo do CPI, excluindo alimentos e energia, permaneceu em 1,2%, mas a forte alta dos preços de joias de ouro impulsionou a categoria de “outros bens e serviços”.

No atacado, a inflação ao produtor recuou marginalmente para deflação de 2,2% em novembro. Em termos mensais, o PPI também mostrou contração mais forte. Os preços de bens intermediários permaneceram fracos e os bens de consumo registraram leve desaceleração adicional — indicando que as pressões deflacionárias na indústria continuam presentes.

Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.

(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.                 

Fonte: Bloomberg.

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Por:

Alexandre MathiasLuciano CostaBruno Benassi
Estrategista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Economista-chefe
da Monte Bravo Corretora
Analista de Ativos
CNPI: 9236

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